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Alterações climáticas ameaçam água e subsistência

Angola : Impactos fazem aumentar os riscos e obrigam a uma gestão mais criteriosa dos recursos. Também é necessária prevenção.

As alterações climáticas, a degradação dos ecossistemas e as mudanças no uso dos solos estão a aumentar os riscos sobre a disponibilidade de água, a segurança alimentar e os meios de subsistência em Angola, nas regiões mais expostas à seca. O alerta foi deixado pelo secretário de Estado para a Ação Climática e Desenvolvimento Sustentável, Nascimento Soares.
A pressão sobre a água é já uma realidade. Cerca de 36% da população angolana continua sem acesso a uma fonte de água apropriada para beber, segundo o UNICEF. No Sul, onde as secas são recorrentes, a situação é mais grave. Dados das Nações Unidas indicam que 5,6 milhões de pessoas estiveram expostas a condições de seca entre outubro de 2023 e março de 2024 e cerca de 1,2 milhões enfrentavam escassez de água.
“Enquanto país que tem uma extraordinária diversidade e vários recursos naturais, esta realidade assume uma relevância particular”, afirmou Nascimento Soares, sublinhando que os ecossistemas são fundamentais para a economia, para a resiliência das comunidades e para as condições de vida das gerações futuras.
Angola tem vindo a reforçar o enquadramento climático e ambiental. Entre os instrumentos apontados pelo secretário de Estado estão o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, a Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas 2022-2035, as novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) e o Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade 2026-2030.
Na NDC apresentada em 2025, Angola compromete-se a reduzir, até 2035, as emissões de gases com efeito de estufa em 5% face ao cenário de referência de 2020, podendo chegar a 11% se houver apoio financeiro, técnico e tecnológico internacional.
O desafio passa também pelo investimento. O Orçamento Geral do Estado para 2026 destina 739 mil milhões de kwanzas (cerca de 695 milhões de euros) à água, saneamento e higiene, mais 15% em termos nominais do que em 2025 e 2,2% da despesa pública.
Nascimento Soares defendeu maior coordenação entre políticas e instituições. “Mais do que criar uma estrutura, é importante fortalecer as sinergias entre os instrumentos já existentes”, afirmou, apontando para a necessidade de produzir mais dados, partilhar conhecimento científico e usar evidência na tomada de decisão.
Soares apresentou a nova fase do projeto Nature4Health (N4H), promovido pelo Governo angolano, através do Ministério do Ambiente, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A iniciativa pretende reduzir riscos de doenças zoonóticas e de futuras pandemias atuando sobre fatores como a perda de biodiversidade, a degradação dos ecossistemas e alterações no uso da terra. Angola integra a segunda fase do programa, juntamente com outros cinco territórios. Com JE

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