A consultora de comunicação ALL parou para organizar a casa, refletir as mudanças que se têm no mercado e os serviços que oferece e sublinhar o seu posicionamento.
“Esta reorganização é menos sobre mudar tudo e mais sobre assumir a nossa vocação de consultores estratégicos de comunicação e de alinharmos melhor aquilo que já fazíamos bem”, diz ao Jornal Económico José Aguiar, fundador da empresa, juntamente com Luís Lemos.
A evolução surge depois de uma década de crescimento de base orgânica, aproveitando a aprendizagem de um período de mudança, que incluiu o aprofundar do processo de digitalização e ultrapassar o desafio da pandemia.
São definidas três áreas de especialização – assessoria mediática, digital e public affairs –, cada uma delas com identidade própria, “para que funcionem como motores para o nosso crescimento e para a captação e retenção de talento”.
Em consequência, a estrutura a empresa foi alterada, incluindo quatro managing directors: Joana Madeira Pereira (Corporate), José Pedro Mozos (Public Affairs), Margarida Fiúza (Corporate and Financial Communication) e Rita Fevereiro (Digital). “Estar próximo dos clientes é essencial, porque a nossa visão é a de acrescentar valor. E acrescentar valor exige tempo, dedicação e atenção, até porque enfrentamos desafios tecnológicos importantes. A reorganização responde a essa exigência e permitirá que continuemos a crescer de forma sustentada”, diz José Aguiar.
A ALL tem um novo site, uma presença reforçada nas redes sociais, novas pessoas com diferentes competências na equipa.
A leitura do mercado ajuda a enquadrar a decisão. Depois de anos marcados por pressão concorrencial e guerra de preços, a comunicação entra numa fase mais madura. A entrada em vigor da legislação sobre representação legítima de interesses no segundo semestre de 2026 deverá dar novo impulso ao setor dos public affairs. Em paralelo, o aumento da presença de multinacionais da comunicação em Portugal está a alterar o perfil do mercado. Para uma empresa portuguesa e independente como a ALL — integrada na Fincom Alliance, rede criada em plena pandemia em sete mercados europeus — esse movimento pode ser uma oportunidade, não uma ameaça.
Há quem antecipe um ciclo de concentração no setor. A leitura da ALL é pragmática: num mercado mais exigente, vencerão as empresas com boa gestão, capacidade de atrair e reter talento e aptidão para combinar pensamento estratégico, criatividade relevante e compreensão profunda do negócio dos clientes. A reestruturação agora apresentada é a forma encontrada para responder a esse desafio — com menos retórica e mais execução.
No ano passado, a empresa cresceu em equipa, clientes, faturação e margem. “Fechámos bem o ano, fomos outra vez PME Excelência e estamos a trabalhar para continuarmos a crescer como empresa e como marca”, diz Aguiar. As expectativas para 2026 são de continuidade, com o foco no crescimento sustentado, oferecendo estabilidade interna e mantendo a proximidade com os clientes como fator diferenciador.