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A terceira rede que é crucial para a segurança nacional

Além das redes de transporte de eletricidade e de gás, a REN também tem uma rede com 8 mil quilómetros de telecomunicações que conta com várias ligações a Espanha.

São mais de 8 mil quilómetros de fibra ótica que ligam Portugal de norte a sul, este a oeste. A fibra corre paralela em altura aos cabos de muito alta tensão de eletricidade, mas também junto dos gasodutos no chão ou enterrados daREN. Esta rede é gerida´por uma empresa do grupo, a RENTelecom. E volta a ganhar destaque depois de o Estado português ter comprado uma posição de 14% no capital da REN por 380 milhões de euros ao dono da Zara, passando a ser o segundo maior acionista, apenas atrás dos chineses da China State Grid (25%).
Esta é a maior espinha dorsal neutra em Portugal, com a rede de fibra ótica disponível para ser usada por empresas, telecoms, mas também pelo Estado português. Conta também com dois centros de dados em Ermesinde e Riba de Ave e sete ligações a Espanha.
“É evidente que é um sistema extraordinariamente sensível do ponto de vista da segurança nacional”, disse uma fonte do setor energético ao JE, considerando que a rede de telecomunicações é também uma das razões para os Estados Unidos da América (EUA) terem estado tão atentos nos últimos anos aos desenvolvimentos na REN.
Além da rede de eletricidade e de gás, outro dos interesses dos EUA na REN é por, acredita esta fonte, passarem informações relevantes dos serviços do Estado pelos 8 mil km de fibra ótica, dada a sua extensão e capilaridade, incluindo ligações internacionais ao resto da Europa via Espanha e ao resto do mundo via cabos submarinos. Apesar da sua importância, a rede de fibra ótica pesa muito menos no negócio da companhia. O transporte de eletricidade lidera pesando 65% no EBITDA de 2025, seguido do transporte e negócio de gás com 29% do total. A atividade internacional no Chile pesa 5% no EBITDA, com a REN Telecom a pesar apenas 1%.
Num dos poucos contratos revelados publicamente está o assinado com a EllaLink em 2020, a empresa que gere um cabo submarino entre Fortaleza e Praia Grande no Brasil a Sines no distrito de Setúbal, para usar a rede de fibra ótica da REN para fazer a ligação entre a América do Sul e o resto da Europa.
O Governo anunciou a entrada no capital daREN como uma oportunidade para acelerar o investimento na rede elétrica e aumentar a capacidade instalada de energias renováveis em Portugal. Para o executivo, isto vai permitir uma redução do preço na fatura da eletricidade no “médio e longo prazo”.
Por parte da associação que representa as maiores empresas nacionais, existem dúvidas sobre o impacto desta medida.
“Não creio que a reentrada do Estado português no capital da REN venha a ter impacto na fatura da eletricidade. Encaro-a mais como uma decisão política com o objetivo de reforçar a influência do Estado numa infraestrutura crítica para o país”, disse o presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal Armindo Monteiro ao JE.
A ministra do Ambiente e da Energia voltou a defender que este investimento é crucial para reduzir a fatura, tal como já tinha defendido o primeiro-ministro Luís Montenegro, quando anunciou a medida em Agosto. “Para diminuir o preço temos de aumentar a percentagem de solar e renováveis, de mais baixo custo do que outras tecnologias, é preciso fazer rapidamente investimentos necessários. É uma questão de tempo. É mais uma ferramenta para influenciar por dentro decisões para o nosso país”, afirmou Maria da Graça Carvalho. “É a notícia que mais gostei de dar aos portugueses”, garantiu.

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