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Nervos de aço para a indústria nacional enfrentar as tarifas de Bruxelas

Tarifas de até 50% sobre o aço e combustíveis mais caros esmagam margens desta indústria, que exporta 70% do que produz. AIMMAP diz que resiliência do setor tem limites.

A nova política europeia para o aço está a criar uma distorção que penaliza a indústria transformadora portuguesa: a matéria-prima paga até 50% de tarifa, enquanto produtos acabados importados entram na UE sem a mesma penalização. Para a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), a medida ameaça a competitividade de uma indústria que exporta 70% da produção.
A contestação é geral, tendolevado a indústria europeia às ruas de Bruxelas, numa manifestação que juntou representantes de vários países e um “comboio” de camiões para denunciar a concorrência desleal e o impacto das novas tarifas. “A Europa está a dar um tiro no pé”, adverte Rafael Campos Pereira, vice-presidente executivo da AIMMAP. A associação não contesta a necessidade de proteger a siderurgia europeia, mas considera que a proteção tem de abranger toda a cadeia de valor.
O problema, explica, é simples: uma empresa portuguesa que compre aço para fabricar um produto paga a tarifa sobre a matéria-prima, enquanto um concorrente de fora da UE pode importar o produto acabado sem suportar esse custo. “O que consideramos é que se deve proteger também toda a cadeia de valor.” Pereira dá o exemplo de um grupo que já abriu uma empresa na Albânia. São líderes europeus de postos de iluminação. “Um posto de iluminação fabricado em Portugal, França ou Alemanha suporta o custo da tarifa sobre o aço importado. Se for produzido fora da UE, pode entrar no mercado europeu sem essa penalização.” Isto acontece com países como a China, Turquia, Sérvia, Albânia...
A AIMMAP defende uma solução semelhante à adotada pelos EUA: aplicar a tarifa também ao aço incorporado nos produtos acabados. “É o que a indústria reclama”. Na prática, a proposta passa por fazer variar a tarifa em função da quantidade de aço incorporada no produto acabado, evitando que a produção europeia fique em desvantagem.
Em Portugal, o setor emprega 260 mil pessoas cerca de 5% da população portuguesa e representa um negócio superior a 44 mil milhões de euros. Quanto ao peso no PIB, situa-se nos 12,5% e é responsável por mais de 30% das exportações de bens.
Porém, a estrela das exportações nacionais pode perder o brilho. A pressão soma-se aos combustíveis e aos custos energéticos. O setor depende do transporte rodoviário. “Temos sido resilientes, o setor tem conseguido acomodar estes aumentos a todos os níveis, mas é impossível continuar. A elasticidade tem um limite.” Mesmo quando as empresas abastecem os camiões em Espanha, a distância e os quilómetros adicionais mantêm uma desvantagem para os fabricantes portugueses. “Isto cria problemas de concorrência”.

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