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A princesa dos três enigmas descobre o amor

Ópera : A obra inacabada de Giacomo Puccini regressa, em abril, com todo o esplendor ao palco do Scala de Milão, sob a batuta de Nicola Luisotti.

Puccini trabalhou nesta ópera em três atos com grande entusiasmo, mas perante a dificuldade em imaginar o dueto final entre a princesa e o seu pretendente, fez uma pausa. Tinha à sua disposição quatro versões do libreto, mas acabou por falecer, deixando apenas esboços brevíssimos da ária. Entra então em cena Toscanini sugerindo que o jovem e promissor compositor Franco Alfano completasse a música do dueto. A desilusão do maestro Toscanini foi tal que, na estreia, terminou a atuação no ponto em que Puccini a tinha deixado. Mas assumiu alguns riscos ao fazer várias escamoteações na música de Alfano e uns quantos acrescentos da sua lavra, baseados nas notas de Puccini. Estreou no Scala de Milão a 25 de abril de 1926 e a versão apresentada por Toscanini passou a ser aceite como definitiva.
A ação do drama lírico decorre na China imperial, no coração da Cidade Proibida. No primeiro ato, um mandarim lê um édito, afirmando que quem pretender desposar a princesa Turandot deve decifrar três enigmas, pagando com a vida se porventura falhar nas respostas. O seu mais recente pretendente, o príncipe da Pérsia, deverá ser executado ao despontar da lua. A multidão, vendo o condenado passar a caminho do cadafalso, tenta pedir a clemência de Turandot que, impassível, dá continuidade à execução pública. Um membro da assistência, recém-chegado à cidade, o príncipe Calaf, deixa-se encantar pela beleza da princesa e decide tomá-la por esposa.
No dia seguinte, no segundo ato, Calaf dirige-se ao palácio para responder aos enigmas da princesa. Turandot faz a primeira pergunta: “O que é que nasce cada noite e morre cada dia?”, ao que Calaf responde, corretamente, “A esperança”. Imperturbável, a princesa prossegue: “O que é que tremeluz, vermelho e quente como uma chama, mas não é fogo?”. Depois de uma pausa, o príncipe diz “o sangue”. Abalada, a princesa Turandot desfere o terceiro enigma: “O que é como o fogo, mas não queima?”. Após um constrangedor silêncio, o jovem Calaf grita, triunfante: “Turandot!”. Enquanto a multidão brada de alegria e reconhecimento, a princesa implora ao pai que não a entregue às mãos de um estranho, mas sem êxito. Calaf propõe então um enigma a Turandot. Se ela conseguir descobrir o seu nome antes do nascer do dia, ele perderá o direito à sua própria vida.
No terceiro ato, Calaf ouve uma proclamação que ordena que, sob pena de castigo corporal ou morte, ninguém na cidade de Pequim deverá dormir até que se saiba o nome do desconhecido. Calaf é então ameaçado pela população, que procura saber o seu nome. Após uma série de acontecimentos sangrentos, Calaf toma Turandot nos seus braços e beija-a à força. Descobrindo a paixão física pela primeira vez, a princesa chora. Calaf, agora seguro da sua vitória, revela-lhe o seu nome. Ao nascer do dia, o povo saúda o imperador. Aproximando-se do seu trono, Turandot anuncia que o nome do estranho é “Amor”.
As sopranos Anna Pirozzi e Ewa Plonka interpretam a princesa, Gregory Bonfatti o Imperador Altoum, e os tenores Roberto Alagna e Angelo Villari alternam no papel de Calaf. Numa encenação de Davide Livermore, sob a batuta do maestro Nicola Luisotti, “Turandot” regressa, uma vez mais, ao palco onde fez a sua estreia.

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