Decorreu hoje, em Lisboa, no edifício-sede, a tomada de posse dos órgãos associativos 2026 a 2029 da Associação Mutualista Montepio Geral.
À margem da da tomada de posse, o presidente da Associação Mutualista, questionado sobre se vai reconduzir Pedro Leitão à frente do Banco Montepio, disse que "essa é uma matéria que tem um tempo próprio e que agora, se vai colocar. Hoje não comentamos essa matéria".
Sobre o balanço do mandato de Pedro Leitão que acabou no fim de 2025 o presidente da Mutualista disse que "houve um trabalho importante de evolução em diferentes domínios da atividade do banco que se reconhece e cumprimenta com muito apreço", mas "há áreas onde se pode melhorar e desenvolver e, portanto, é um balanço que está feito no momento próprio", acrescentou.
Em termos de prazo para a decisão, Virgílio Lima disse que "há um período que vai iniciar-se em breve, junto das próprias autoridades de regulação para este efeito e que é um período, numa fase inicial, sigiloso. A expectativa é que a eleição [da administração do Banco Montepio] se possa verificar com a apresentação pública das contas do banco. Nessa Assembleia que será, previsivelmente em abril, haverá, certamente, a eleição dos órgãos sociais, mas há um processo prévio junto do Banco de Portugal que tem que correr, entretanto".
Em relação aos resultados do Grupo Montepio em 2025, disse que "crescemos no ano de 2025. Temos vindo a crescer, ao longo dos últimos anos, em número de associados, em volume de poupanças".
"O crescimento líquido de poupanças é de quase 500 milhões no ano, entre entradas e saídas de poupanças. Já os resultados deverão estar alinhados com os resultados do passado recente, dos anos anteriores, e, assim também é nas empresas do grupo, onde esperamos a continuidade deste ciclo que se tem observado, de resultados positivos, consistentes, crescentes, e que têm permitido também a distribuição de dividendos ao acionista, que esperamos que continue em conformidade", disse ainda.
Em termos de prioridade para este mandato do tempo, diz, que " nós simplificámos o grupo, capitalizámos adequadamente todas as entidades, racionalizámos um conjunto de processos, julgamos que temos condições, agora, para um ciclo de desenvolvimento e de crescimento, com as entidades capitalizadas, a própria casa-mãe e, portanto, antevemos um ciclo de consolidação face ao ciclo anterior, e de crescimento de resultados e de atividade global".
Questionado sobre se vão vender a companhia de seguros Lusitânia, disse que relativamente às companhias de seguros, "nós admitimos parcerias de desenvolvimento, sempre o dissemos, temos um conjunto de prioridades que vêm do período da crise anterior, que afetou todas as entidades e que estão em recuperação. Uma vez recuperadas, poderemos fazer parcerias de desenvolvimento mantendo naturalmente uma posição relevante e importante nas companhias".
Virgilio Lima admitiu mesmo vender a maioria do capital da Lusitânia "esse é um quadro de evolução provável" pois "não precisamos ter 100% para ter a atividade seguradora, e portanto é natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento num momento próprio".
Sobre as medidas para a habitação acessível para os associados, admitiu que "há um conjunto de domínios em que percebemos que os nossos associados não conseguem pagar as prestações, não conseguem pagar o sinal, e, portanto, admitimos que podemos ajudar comprando as casas e fazendo o seu arrendamento aos associados durante um período de 15 ou 20 anos, dando-lhe a opção de compra no final, se o desejar, e desta forma irmos contribuindo para a resolução do problema de habitação dos nossos associados", afirmou.
Sobre a relação com a ASF, disse que "a relação institucional é ótima", mas está pendente um questão legislativa.
"O código das associações mutualistas remete para um modelo de solvência que tem como referência os seguros e estipula que se deve adaptar a atividade, o modelo de solvência das associações mutualistas, aos seguros, mas sem descaracterizar a sua atividade, respeitando as suas especificidades e adaptando em conformidade. No entanto a lei que rege a atuação da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões não permite a supervisão de entidades, de associações mutualistas como nós. Pelo que há aqui um conflito legal que é preciso resolver no sentido de permitir esta resolução e encontrar um modelo de solvência adequado", disse Virgílio Lima.
"Nós vivemos bem com qualquer modelo de solvência, mas temos sido confrontados com esta dificuldade, mas que se resolverá certamente em breve. Esta é uma matéria que voltou a estar, já esteve várias vezes para ser resolvida, mas por situações inerentes à mudança do próprio governo e dos governos, não foi concluída e teve que ser retomada", acrescentou.
O presidente da Mutualista lembrou que "há um período de transição que foi definido na lei, que está a decorrer, mas com esta dificuldade legal não pode avançar e portanto, nós temos todo o interesse em que isso seja naturalmente resolvido".
Tomada de posse
Virgílio Lima no seu discurso da tomada de posse realçou o "aumento expressivo da participação eleitoral, quase duplicando o número de votos face ao último acto, quando tínhamos quatro listas em presença", lembrando que este ano "tivemos apenas uma para a generalidade dos órgãos e duas listas para a Assembleia dos representantes". O que conclui "é um sinal claro da vitalidade democrática e do envolvimento dos associados".
"Esta escolha coletiva legitima o programa que apresentámos e reforça a responsabilidade a todos nós em concretizá-lo", disse o presidente da Associação Mutualista.
Virgílio Lima lembra que o mandato anterior "permitiu-nos simplificar o grupo Montepio, rendibilizar as entidades, obter dividendos e capitalizar adequadamente todas as entidades, criando condições para a continuação deste caminho, com crescimento, aproveitamento de sinergias e do valor potencial ainda não realizado nesta cadeia do grupo, bem como a concretização de atualizações legislativas fundamentais para o futuro da nossa Associação".
Os Órgãos Sociais da Associação Mutualista Montepio para o quadriénio foram eleitos em dezembro de 2025 e tomaram posse Maria de Belém Roseira como Presidente da Mesa da Assembleia Geral; como Presidente do Conselho de Administração, Virgílio Boavista Lima; como Presidente do Conselho Fiscal Vitor Seabra Franco; entre outros.
A cerimónia de posse cobriu a Mesa da Assembleia Geral, Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Assembleia de Representantes. Aqui, e tendo em conta as votações, a lista A elegeu 19 membros, sendo o primeiro nome o padre Vítor Melícias.
Na tomada de posse que decorre hoje, além de Virgílio Lima como presidente, tomam posse Idália Serrão, Rui Heitor, Fernando Centeno Amaro e Hélio Gomes Marques como administradores executivos e José Eduardo Martins (ex-secretário de Estado de governos PSD) e Maria da Conceição Zagalo como administradores não executivos.
Como presidente da mesa da assembleia-geral toma posse Maria de Belém Roseira (política socialista, ex-ministra da Saúde e ex-candidata presidencial) e como presidente do conselho fiscal toma posse Victor Franco. Ambos já ocupavam estas funções.
Como membros da assembleia de representantes tomam posse Vitor Melícias, Tiago Mota Saraiva, Edmundo Martinho, Ivo Pinho, Francisco Alhandra Duarte, Ricardo Fernandes, Henrique Monteiro, Marta Ferreira da Silva, José Miguel André Nogueira, Ana Tarrafa Silva, Manuel Caseirão, Guta Moura Guedes, Carlos Areal, Víctor Ruivo, Teresa do Rosário Damásio, Emanuel José do Carmo, Manuel Ramos Lopes, Manuel Rogério Dias Ferreira, Carlos Rodrigues Lucas, António Menezes Rodrigues, Maria Margarida Biléu, José António Rabaça, Tiago Peralta d’Alte, Andreia Baptista Galvão, Fernando Albuquerque, Camila Tomaz Rodrigues, José Manaia Lampreia, Hermínio Martinho, Manuel Banza Rodrigues e Rui Saraiva Fevereiro.