Depois do comboio de intempéries que atingiu Portugal no início de 2026 e dos estragos avultados e generalizados que causou no país, o Governo avançou com um plano de resposta que inclui o PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, um programa de 22,6 mil milhões de euros. Confessando que o montante não é o ponto mais positivo deste pacote, Bernardo Maciel destaca a celeridade da resposta inicial, que muito se deve ao Banco Português de Fomento (BPF), mas lamenta a demora no processo desde então.
O Governo desenhou o PTRR assente em três pilares (Recuperar, Proteger e Responder) com vista a dotar o país de capacidade de resposta a estes eventos climáticos extremos, que se preveem cada vez mais frequentes no nosso país. O Plano tem um horizonte de nove anos e o financiamento repartir-se-á entre fundos públicos nacionais (37%), financiamento privado (34%) e fundos europeus (19%).
Bernardo Maciel considera a verba global “relevante”, mas a alocada à componente empresarial “não é fantástica”, embora o mais relevante nesta questão seja, mais uma vez, a celeridade. O Plano prevê linhas de apoio às empresas de 2 mil milhões de euros, além de moratórias de crédito e apoios à manutenção de emprego, via lay-off simplificado ou isenção de contribuições para a Segurança Social.
Numa “crítica generalizada aos instrumentos de financiamento que passam pela máquina do Estado”, o CEO da Yunit lembra que “o tempo que leva a que o dinheiro chegue [às empresas] dificulta, por um lado, a recuperação e, depois, a amplificação desse investimento que a recuperação permite”.
Ainda assim, a resposta inicial, operacionalizada com um contributo central do BPF, foi expedita, embora a procura dos empresários tenha sido reduzida. Ao mesmo tempo, a descentralização feita da plataforma de acesso ao PT2020 faz com que se verifique “há uns três ou quatro anos uma dificuldade complicada de poder fazer a gestão habitual dos concursos”.
“Portanto, a grande bondade desta equipa do BPF foi rapidamente, e com o capital disponível, criar linhas práticas, objetivas e ágeis para que as empresas se candidatassem. Só que depois voltámos ao ‘nó górdio’, que é, uma vez aprovado, entrar neste processo complexo que é agilizar o acesso ao capital e poder fazer a execução do projeto”, remata.
Verba empresarial do PTRR “não é fantástica”, mas celeridade é a prioridade
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Linhas iniciais do BPF foram expeditas, mas esbarraram nas demoras recorrentes dos apoios mobilizados pelo Estado. No PTRR, expectativa é de maior celeridade.