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Vasp contesta proposta do Governo para a distribuição de imprensa e alerta para riscos de sustentabilidade

A única distribuidora nacional de jornais em Portugal afirma que o modelo proposto pelo Executivo revela "desconhecimento da realidade operacional" e pode agravar a crise no setor, fragmentando um sistema que hoje funciona de forma integrada.

A Vasp – Distribuição e Logística manifestou, esta terça-feira, uma "preocupação profunda" face à proposta do Governo para um regime temporário de apoio à distribuição de imprensa em territórios de baixa densidade.

A única distribuidora nacional de imprensa em Portugal, lançou um duro alerta contra a proposta do Governo para o setor, acusando o Executivo de 'desconhecimento da realidade operacional'. A empresa avisa que o novo modelo de apoio à distribuição em zonas de baixa densidade pode fragmentar o sistema logístico e acelerar a falência de editores e pontos de venda.

Em comunicado, a empresa privada — que é atualmente a única operadora do setor em Portugal após a insolvência dos concorrentes — alerta que a solução apresentada pelo Gabinete do Ministro da Presidência pode ter o efeito oposto ao pretendido, acelerando a degradação da rede de jornais no país.

"Num contexto em que a distribuição de imprensa enfrenta uma forte e continuada quebra de vendas, com o aumento significativo dos custos operacionais, o encerramento progressivo de pontos de venda (e a saída de banca de publicações, por decisão dos editores ou por insolvência de editoras), a Vasp tem mantido, com enorme esforço, a operação nacional de distribuição diária, assegurando que os jornais continuam a chegar diariamente, de forma atempada, às populações em todo o território nacional. Um compromisso que está na génese da fundação da Vasp há 51 anos", refere o comunicado.

A distribuidora recebeu com "surpresa" o documento oficial, e diz que levanta dúvidas injustificadas sobre a sua atuação. A Vasp sublinha que opera sob rigorosa regulação da Autoridade da Concorrência e que tem mantido um espírito de "transparência e boa-fé", partilhando regularmente informações técnicas com o Governo e reguladores.

Para a empresa, o plano do Executivo demonstra fragilidades técnicas e ignora a complexidade logística do setor, que envolve uma operação diária (365 dias por ano) desde as gráficas até à rede capilar de pontos de venda.

Riscos de fragmentação

O principal alerta da Vasp recai sobre a possível fragmentação do sistema logístico. Segundo a distribuidora, ao desintegrar o modelo atual, o Governo arrisca-se a aumentar os custos operacionais num contexto geopolítico já instável; a agravar a situação financeira de editores, gráficas e quiosques; e a pôr em causa a sustentabilidade da imprensa diária em banca.

Em contrapartida, o Conselho de Administração da Vasp defende que o apoio público deveria focar-se na continuidade do serviço através de incentivos diretos. Entre as propostas da distribuidora estão o apoio financeiro a pontos de venda e editores, bem como a implementação de políticas que estimulem a compra de jornais por parte de autarquias, escolas e universidades.

A Vasp conclui reafirmando a sua disponibilidade para colaborar com o Governo na construção de uma "solução realista" que proteja o acesso dos cidadãos à informação, considerado um bem público fundamental.