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Uma dúzia de patentes para serem transformadas em empresas

Programa apoiado pelo PRR liga investigadores, indústria e investidores para criar startups deep tech na economia do mar. Fórum Oceano transforma projetos de investigação científica azul em novos negócios.

Portugal pode estar prestes a dar um salto estrutural na forma como transforma ciência em valor económico e o oceano é o ponto de partida. Através do Hub Azul Portugal, liderada pelo Fórum Oceano, investigadores estão a ser desafiados a fazer o que durante décadas foi a exceção: levar conhecimento científico até ao mercado. “Este é um problema não só da economia azul, mas em geral na Europa”, diz Gonçalo Faria, Hub Azul Manager. E é precisamente essa falha que o programa Hub Azul Venture Building quer resolver.
A iniciativa partiu de uma escuta ao ecossistema. Centros de investigação, startups e investidores foram claros: há ciência de qualidade, há propriedade intelectual, mas falta transformar esse valor em empresas. O modelo é exigente e pragmático. “É necessário juntar tecnologia e talento”, sublinha o responsável.
Desenvolvido em parceria com a Beta-i, o programa apoiou investigadores e equipas de I&D na transformação de tecnologias “deep tech” em potenciais spin offs, startups e iniciativas empresarias ligadas ao oceano.
A partir de um mapeamento nacional em toda a rede dos seis polos da Rede Hub Azul Portugal, foram identificados ativos científicos — muitos deles protegidos ou passíveis de proteção através de patentes — com potencial comercial. Desses, 12 projetos foram selecionados para um programa intensivo de 10 semanas, onde investigadores trabalham diretamente na criação de negócios.
Durante o percurso, as equipas são desafiadas a sair do conforto académico: validar problemas reais, identificar clientes, estruturar modelos de negócio, definir estratégias de entrada no mercado e explorar mecanismos de proteção intelectual, incluindo patentes. O objetivo é claro: transformar ciência em soluções com aplicação real.
Mais do que ensinar, o programa procura reduzir risco — um fator crítico num país onde o empreendedorismo científico ainda enfrenta barreiras culturais. “Estamos a fazer esse ‘de-risking’ inicial para facilitar a decisão dos investigadores em avançar para uma carreira de empreendedorismo”, diz Gonçalo Faria. “Sabemos que em Portugal é difícil deixar um emprego quase seguro para uma carreira com risco, mas com oportunidades enormes.”
O Hub Azul Venture Building não financia diretamente os projetos, mas prepara-os para esse momento. O culminar será a 15 de junho, no Oeiras Bluetech Ocean Forum 2026, onde as equipas apresentarão os seus projetos a investidores, num formato de pitch.
As áreas em desenvolvimento são biotecnologia marinha, aquacultura sustentável, inteligência artificial, monitorização costeira, materiais avançados e economia circular. Entre os exemplos estão soluções que transformam biomassa marinha em ingredientes cosméticos, ou sistemas de análise de ondas com base em vídeo ou tecnologias para recuperar metais críticos de resíduos eletrónicos. “Há muito potencial. Alguns destes projetos devem transformar-se em empresas. Até ao final do ano é muito possível”, antecipa.
Mas o Venture Building é apenas uma peça de uma estratégia mais ampla. O Hub Azul está a construir um verdadeiro ecossistema de inovação. “Estamos a evitar aquela lógica de fazer ciência pela ciência. A nossa estratégia é muito ligada ao que são as necessidades das empresas”, afirma Gonçalo Faria.
Se resultar, o impacto pode ir além da economia do mar. Pode resolver um dos maiores desafios estruturais do país: transformar conhecimento em riqueza e fazer das universidades motores de criação de empresas, emprego e inovação. Num país com talento científico, o Hub Azul quer provar que o futuro não está apenas em investigar — mas em empreender.

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