Uma rampa de lançamento internacional para o Hub Azul Portugal, uma plataforma de cooperação que pretende atrair investimento estrangeiro e fomentar negócios no setor da economia do mar. É isto que vão ser os Oeiras Blue Tech Ocean Forum, que se realizam a 15 e 16 de junho.
As estrelas, claro, vão ser os projetos, as iniciativas, as ideias que vão ser apresentadas. É uma passerelle e as apresentações e os painéis focados em financiamento, inovação e internacionalização são os modelos que se mostram.
“Este Fórum é ação concreta para fazer negócios de economia azul”, sublinha Ruben Eiras, secretário-geral do Fórum Oceano, ao Jornal Económico, sintetizando a ambição de transformar conhecimento científico em oportunidades económicas tangíveis. Ou seja, transformar conhecimento em negócio.
Entre as novidades, destaca-se a participação de delegações de Itália, Marrocos, França e Brasil.
Do lado brasileiro, será apresentado o primeiro fundo privado de investimento dedicado à economia azul, sediado no Rio de Janeiro. Será ainda dado a conhecer um projeto de restauração de florestas de macroalgas na região de Cabo Frio, com potencial para abastecer indústrias com matéria-prima sustentável.
O evento contará também com intervenções institucionais de alto nível, incluindo representantes da Comissão Europeia, do Banco Português de Fomento e da AICEP, com a qual será assinado um protocolo de cooperação. Em paralelo, será divulgado um novo fundo nacional — o STAG Blue Transformation Fund — reforçando o papel de Portugal como destino de investimento neste setor emergente.
Outro dos momentos centrais será a apresentação de sete startups selecionadas para desenvolver projetos-piloto no âmbito da rede Hub azul, a partir de um universo inicial de 18 startups. A iniciativa visa testar soluções em ambiente real e facilitar a sua futura implementação no mercado. Além disso, pelo menos duas patentes, entre dez atualmente em desenvolvimento, serão apresentadas a investidores em fase early stage.
O Fórum servirá ainda para atualizar o Blue Economy Guide, documento que reúne as tendências mais recentes de investimento na economia do mar, num painel com especialistas internacionais, incluindo representantes do Instituto Brasileiro da Economia do Mar.
Entre os projetos em destaque estão várias iniciativas que ilustram o potencial da inovação azul em Portugal e além-fronteiras. A SEALLG Innovation Solutions and Products apresenta o SargaActive, um aditivo dermocosmético produzido a partir de sargaço, uma biomassa frequentemente tratada como resíduo nas zonas costeiras. A proposta transforma um problema ambiental num recurso de elevado valor para a indústria cosmética, alinhando-se com os princípios da economia circular.
Na área da monitorização costeira, o projeto TIDIVIEWS, desenvolvido pela Universidade de Aveiro, utiliza câmaras convencionais e técnicas de visão computacional para estimar parâmetros de ondas, eliminando a necessidade de sensores dispendiosos no terreno. A versão móvel pretende democratizar a recolha de dados, permitindo a participação de utilizadores não especializados.
Também da Universidade de Aveiro surge a See.Horses, uma iniciativa focada na produção sustentável de espécies ornamentais marinhas, como cavalos-marinhos e peixes-palhaço, através de sistemas de aquacultura em recirculação. O objetivo é abastecer o mercado europeu de aquários com alternativas sustentáveis e reduzir a pressão sobre populações selvagens. Já a SeaCellTech aposta no desenvolvimento de linhas celulares marinhas e de alternativas ao soro fetal bovino, como o CellBloom, baseado em microalgas. A tecnologia promete tornar a investigação e a produção aquícola mais éticas, escaláveis e sustentáveis.
Por fim, o projeto MarMet, da Universidade de Coimbra, apresenta uma solução inovadora para a recuperação de metais preciosos a partir de resíduos eletrónicos, combinando processos químicos e biológicos com menor impacto ambiental.
Fórum para pescar novos negócios na economia azul
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O Oeiras Blue Tech Ocean Forum apresenta fundos de investimento, projetos-piloto e tecnologias que estão a sair do laboratório para o mercado.