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Um diplomata todo-o-terreno

Durante os seis anos em que foi embaixador de Portugal no Uruguai, João Pedro Antunes percorreu o país em busca de oportunidades de negócio para as empresas portuguesas.

Num país sem delegação da AICEP, João Pedro Antunes percorreu com a pequena equipa da embaixada portuguesa no Uruguai o terreno onde nascem os negócios: dos vinhos ao caviar, das janelas de luxo à madeira. Durante os seis anos que foi embaixador naquele país sul-americano, entre novembro de 2020 e março de 2026, visitou os 19 departamentos (equivalente a distritos) do território, construiu uma rede de contactos empresariais e fez da embaixada um ponto de ligação para as empresas portuguesas.
O trabalho valeu-lhe agora a distinção de diplomata económico do ano, atribuída pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), em articulação com o Instituto Diplomático, e que reconhece anualmente o chefe de missão diplomática que mais se destacou no apoio à internacionalização das empresas nacionais e na promoção da imagem de Portugal no estrangeiro. “Eu venho de uma embaixada pequena, que não tem delegação da AICEP, e o embaixador está necessariamente mais próximo do terreno”, diz João Pedro Antunes, de 61 anos, ao Jornal Económico.
Foi precisamente dessa proximidade que nasceu um trabalho de levantamento da realidade económica entre os dois países. “O que procurei fazer, desde o início, foi um mapeamento de todas as entidades relevantes. As empresas portuguesas existentes, as empresas uruguaias que comercializam produtos portugueses e, também, as empresas portuguesas com interesses no Uruguai, nomeadamente ao nível das exportações. A ideia foi, portanto, identificar todo o ecossistema de relações económicas entre os dois países. Posso dar um exemplo curioso: é mais fácil encontrar cerveja portuguesa na capital Montevideu do que em Madrid, onde também vivi”, acrescenta o diplomata.
A missão passou também por identificar oportunidades concretas de negócio. Por exemplo, uma empresa portuguesa que fabrica janelas topo de gama vai equipar uma construção no Uruguai. Para além destes projetos, o trabalho passou igualmente pela ligação a empresários uruguaios em setores tradicionais na área dos vinhos, conservas, massas e outros produtos alimentares. Sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, considera que irá abrir um novo leque de possibilidades, tanto para as empresas portuguesas como para as uruguaias. “Mais do que atuar isoladamente, poderão em conjunto, com o objetivo de aceder a novos mercados”. E como se vê o mundo a partir do Uruguai? “É um bom posto para observar a América do Sul. É um país que tem uma visão muito parecida com Portugal, como a aposta no multilateralismo e na defesa de uma ordem internacional baseada em regras”.
João Pedro Antunes é diplomata de carreira, licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, e com um percurso de mais de três décadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Desempenhou funções consulares em Espanha — como Cônsul em San Sebastián, e depois em Bilbau — e exercido diversas funções na Secretaria de Estado e em postos externos. Ao longo da sua carreira, destacou-se igualmente em áreas chave da política europeia e externa, nomeadamente na Representação Permanente junto da União Europeia e em várias responsabilidades de direção no Ministério dos Negócios Estrangeiros, como Chefe de Divisão e Diretor de Serviços (Assuntos de Segurança e Defesa) na Direção-Geral de Política Externa, bem como Subdiretor-Geral de Política Externa. Foi ainda Coordenador Nacional para as Conferências Ibero-americanas. Entre as distinções recebidas incluem-se a Grã-Cruz da Ordem do Mérito, a Medalha de Mérito Aeronáutico de 1.ª classe (Força Aérea Portuguesa) e o grau de Comendador da Ordem de Isabel a Católica (Espanha).
Há um mês em funções como Inspetor-Geral Diplomático e Consular, João Pedro Antunes descreve esta nova etapa como um desafio muito diferente da sua experiência anterior. “É uma área completamente diferente”, reconhece. Ainda assim, admite que se trata de um novo tipo de exigência: “Sou jurista e, portanto, estou capacitado com os conhecimentos essenciais para o cargo, além da minha experiência como diplomata. Mas é um desafio novo e bastante diferente do que fiz até hoje.”

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