Negociadores da Ucrânia e da Rússia reuniram esta terça-feira para o primeiro de dois dias de negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos em Genebra, numa altura em que o presidente norte-americano, Donald Trump, pressiona Kiev a assumir maior flexibilidade para chegar a um acordo.
O principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, afirmou antes das conversas que os dois lados discutiriam "questões de segurança e humanitárias". O encontro em Genebra ocorre após duas rondas de negociações mediadas pelos Emirados Árabes Unidos em Abu Dhabi, que terminaram sem grandes avanços. "Estamos a trabalhar de forma construtiva, focada e sem expectativas excessivas", escreveu Umerov, chefe do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, nas redes sociais. "A nossa tarefa é avançar ao máximo com as soluções que possam aproximar uma paz sustentável."
Depois dos encontros políticos tiveram lugar encontros especializados, pelo que a informação sobre a matéria era, à hora do fecho desta edição, bastante escassa.
Antes das negociações, a Rússia realizou intensos ataques aéreos durante a noite anterior em vastas áreas da Ucrânia, causando graves danos à rede elétrica na cidade portuária de Odessa, no sul do país. Zelensky afirmou que o ataque deixou dezenas de milhares de pessoas sem aquecimento e sem água. O ataque é a repetição do que sucedeu nas rondas anteriores: horas antes dos encontros, a Ucrânia é severamente fustigada pelas armas russas.
Zelensky pediu aos aliados de Kiev que aumentassem a pressão sobre a Rússia para alcançar um acordo de paz "real e justo", tendo pedido mais de sanções e mais rigorosas e fornecimento de armas à Ucrânia. A União Europeia lançou o seu 20º pacote de sanções – que compreendem uma nova forma de gerir o petróleo russo que passa pelos territórios europeus.
"A Ucrânia precisa de sentar-se à mesa de negociações rapidamente. É tudo o que vou dizer", afirmou Trump sobre o encontro. A Rússia exige que a Ucrânia ceda os 20% restantes da região leste de Donetsk que Moscovo não conseguiu capturar – algo que Kiev se recusa a fazer.
"Desta vez, a ideia é discutir uma gama mais ampla de questões, incluindo, na verdade, as principais. As principais questões dizem respeito tanto aos territórios quanto a tudo o mais relacionado com as reivindicações que apresentámos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na segunda-feira.
Segundo as agências internacionais, delegações de vários países europeus estiveram presentes em Genebra, mas não participaram nas negociações de paz trilaterais. Os europeus foram convidados depois de Zelensky pedir a autoridades norte-americanas que os incluíssem no processo.
O Kremlin informou que a delegação russa era liderada por Vladimir Medinsky, assessor do presidente Vladimir Putin, que em tempos tentou enquadrar a invasão da Ucrânia num quadro histórico – o que levou os ucranianos a por ele terem pouco apresso.
Em discurso na Conferência Anual de Segurança de Munique, no sábado, Zelensky disse esperar que as negociações em Genebra se mostrassem "sérias e substanciais... mas, honestamente, às vezes parece que os dois lados estão a falar de coisas completamente diferentes".