Skip to main content

GAFI mantém Angola na "lista cinzenta", mas quer sair de lá até 2027

Primeira avaliação de 2026 do Grupo de Ação Financeira mantém Angola na lista de jurisdições sob monitorização reforçada. O plenário decorreu na Cidade do México entre 11 e 13 de fevereiro, com os delegados a renovarem o apelo à correção das deficiências identificadas no combate às principais ameaças ao sistema financeiro internacional.

Angola mantém-se na lista de países sob monitorização reforçada do Grupo de Ação Financeira (GAFI), por causa dos riscos de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

Entrou na lista em outubro de 2024, mas espera sair até 2027. A chave está – não apenas mas também – num conjunto de diplomas e revisões legais em curso, entre eles a proposta de lei sobre o Regime Jurídico do Beneficiário Efectivo, que será submetida a aprovação final na plenária da próxima semana, confirmou o Jornal Económico (JE).

A deliberação foi tomada no último plenário do grupo, que decorreu na Cidade do México entre 11 e 13 de fevereiro, com os delegados a renovarem o apelo à correção das deficiências já identificadas no quadro do combate às principais ameaças ao sistema financeiro internacional (AML/CFT/CPF), nomeadamente lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

No relatório, a organização intergovernamental reitera que as autoridades angolanas devem continuar a trabalhar, em coordenação com o GAFI, para a implementação do plano de ação que prevê “reforçar a compreensão dos riscos de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo”, a “melhorar a supervisão baseada no risco das entidades bancárias não financeiras e das atividades e profissões não financeiras designadas” e “garantir que as autoridades competentes tenham acesso adequado, preciso e oportuno às informações sobre os beneficiários efetivos e que as violações das obrigações sejam devidamente tratadas”.

Angola deve ainda “demonstrar um aumento nas investigações e processos judiciais relacionados com o branqueamento de capitais”, “a capacidade de identificar, investigar e processar judicialmente o financiamento do terrorismo” e “um processo eficaz para implementar sanções financeiras específicas sem demora”, conforme o compromisso formal assumido em outubro de 2024 com o GAFI e, também com o Grupo de Combate ao Branqueamento de Capitais da África Oriental e Austral (ESAAMLG).

As respostas às recomendações do GAFI no âmbito do processo de monitorização estão em curso e o Governo já fez contas sobre a data de saída da chamada “lista cinzenta”. Em dezembro, o secretário de Estado para a Justiça, Osvaldo Amaro, avançou janeiro de 2027 como horizonte para a retirada do país da lista, contando com a revisão de dois diplomas legais e, também, alterações pontuais à Lei do Branqueamento de Capitais, Financiamento do Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição Massiva.

Importa mencionar a proposta de lei dos Estatutos das Organizações Não Governamentais (ONG) aprovada em janeiro com 106 votos a favor, 77 contra e duas abstenções. E a proposta de lei do Regime Jurídico do Beneficiário Efetivo, validada em novembro pelo Conselho de Ministros e que será levada a aprovação global na Assembleia Nacional na plenária da próxima semana, após votada na generalidade com 24 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção na sexta-feira, dia 13 de fevereiro.

Delineado para reforçar a "transparência e a robustez do setor financeiro e corporativo de Angola", o diploma tem entre os seus alicerces a Central de Registo do Beneficiário Efectivo (CRBE) como base pública, autónoma e independente, que prevê um conjunto de processos e procedimentos que visam alinhar o país com padrões internacionais de prevenção ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo - "a pedra de toque" do documento de quase 90 páginas, classificou Marcy Lopes, ministro da Justiça e dos Direitos Humanos.

Recentemente, a Unidade de Informação Financeira (UIF) angolana, responsável por receber, analisar e difundir informação suspeita de branqueamento de capitais, do financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa, destacou que tem trabalhado "afincadamente na aquisição e desenvolvimento de ferramentas tecnológicas e pretende reduzir ao máximo o tempo de análise das comunicações de operações suspeitas, garantir uma maior extensão da supervisão baseada no risco a todos os setores abrangidos, reforçar a cooperação com as autoridades judiciárias e, junto das autoridades competente, impulsionar a mais rápida submissão e aprovação de diplomas que ainda carecem de reformas".

O diretor-geral da unidade, Gilberto Capeça, afirmou por ocasião dos 15 anos da fundação da UIF, que "o empenho do Executivo angolano no âmbito das suas atribuições tem sido crucial para a consolidação da autonomia administrativa, financeira e operacional da UIF, tudo de acordo com as recomendações do GAFI".

Angola foi incluída na "lista cinzenta" no final de 2024, naquela que foi a primeira reunião da presidência mexicana de Elisa de Anda Madrazo, que está a meses de dar lugar ao atual vice-presidente Giles Thomson, eleito na última reunião de 13 de fevereiro.

O GAFI reúne-se três vez por ano, com a próxima plenária a decorrer entre os dias 15 e 19 de junho.

"O processo de inclusão na lista (cinzenta) não é uma medida punitiva. Pelo contrário, trata-se de orientar os países na via da melhoria. Todos estes países trabalharam ativamente com os respetivos organismos regionais e com o GAFI para desenvolver um plano de ação", explicou, na altura, Elisa de Anda Madrazo.