Tem a mente de um engenheiro e alma de inovador. É desta forma que o antigo líder da Apple, Tim Cook, descreve o seu sucessor John Ternus. Responsável pelo iPhone Air (o mais fino de sempre) e pelo MacBook Neo, o novo CEO assume uma empresa mais valiosa do que nunca e a responsabilidade de dar continuidade à trajetória de crescimento da empresa. Isto num momento em que a tecnológica enfrenta novos desafios para sustentar o ritmo de expansão e inovação.
Ternus, de 51 anos, entrou na empresa em 2001 e, desde 2013, é vice-presidente sénior de Hardware Engineering, tendo liderado as equipas responsáveis pelo iPhone, iPad, Mac, AirPods e outros produtos. A Apple destaca também o seu trabalho em áreas como fiabilidade, durabilidade, materiais, design de hardware e reparabilidade.
A mudança na liderança da Apple acontece num momento particularmente decisivo para a empresa. A rápida evolução da inteligência artificial está a transformar profundamente o setor tecnológico, numa dimensão que não era vista desde o lançamento do primeiro iPhone, apresentado por Steve Jobs em 2007.
Neste novo cenário, a Apple tem enfrentado dificuldades para acompanhar o ritmo dos concorrentes. A empresa tem atrasado a implementação de algumas das funcionalidades de inteligência artificial que havia prometido, numa estratégia que, até agora, ficou aquém das expectativas criadas.
Perante esses obstáculos, a Apple procurou reforçar a sua posição através de uma parceria com a Google, uma das empresas que mais cedo ganhou vantagem na corrida pela IA. O acordo visa contribuir para a evolução da Siri, transformando a assistente virtual do iPhone numa ajudante mais conversadora e versátil. “Cook criou um legado importante na Apple, mas chegou a hora de passar a tocha para a Ternus com a estratégia de IA agora em foco”, disse Dan Ives, analista da Wedbush Securities.
Além disso, a Apple já não é o comprador dominante de componentes essenciais de que necessita para fabricar os seus dispositivos. Os gigantes tecnológicos estão a absorver a capacidade de produção de que a Apple precisa, principalmente de chips de memória e armazenamento. Isso não só está a aumentar os custos — que está a transferir para os consumidores — como também está a provocar escassez, uma vez que a empresa não consegue satisfazer a procura dos clientes.
A outra grande questão relacionada com a cadeia de abastecimento é a dependência contínua da Apple em relação à China. Cook conseguiu, em grande medida, evitar as tarifas impostas pelo presidente Trump graças à sua hábil atuação política, Mas o problema fundamental permanece: a maior parte da cadeia de abastecimento da Apple está localizada num país envolvido numa guerra comercial de longo prazo com os Estados Unidos.
Quando Ternus assumir pela primeira vez o papel de CEO da Apple diante do público, a 9 de setembro, terá motivos para encarar o momento com confiança. A popularidade dos produtos da empresa continua em alta e, apesar de o iPhone 17 Pro não ter correspondido a todas as expectativas, outros avanços ajudaram a compensar essa lacuna. Entre eles estão um sistema de câmaras melhorado e uma bateria mais potente. O Mac também está a viver um renascimento com novos modelos. Por fim, a Apple terá mais um trunfo para encerrar o primeiro evento de Ternus:um iPhone dobrável.
Ternus herda os desafios da IA, novos produtos e guerra comercial
/
Tecnológica : O novo CEO da Apple tem um perfil diferente de Tim Cook e chega à liderança da empresa com uma experiência mais ligada ao produto e à engenharia.