São ambos engenheiros, e não têm medo de arriscar - ela gere um banco e ele uma escola de gestão. Isabel Guerreiro, CEO do Santander em Portugal, e Pedro Oliveira, dean da Nova School of Business and Economics, também convergem na importância da formação para os destinos do país. “A capacitação das empresas é um meio fundamental para desenvolver a nossa economia”.
Conversamos com Isabel Guerreiro e Pedro Oliveira no campus em Carcavelos, no Santander Money Club, espaço que junta coworking e prestação de serviços financeiros, sob a alçada de Nuno Freire. O pretexto é a parceria de longa data entre o Santander Portugal e a Nova SBE, sobre a qual, e antecipando o final da conversa, os nossos interlocutores dirão que está de saúde e recomenda-se. A parceria não se esgota no financiamento dado ao campus de Carcavelos, nem no apoio anual a bolsas. Existem várias iniciativas em conjunto. Olhamos em particular para uma.
Voice Leadership, iniciativa criada pela Nova SBE com parceiros, incluindo o Santander, tem como meta fortalecer as competências de gestão das pequenas e médias empresas (PME) e mobilizar as lideranças para o aumento da competitividadede Portugal.
Uma urgência, como explica Isabel Guerreiro: “Uma das fragilidades de Portugal é não ter escala e haver algumas lacunas de conhecimento nas suas lideranças. Aquilo que procuramos fazer é capacitar e ajudar a suprir essas lacunas”. O contributo do Santander para este desiderato mede-se no apoio a 160 PME no âmbito do Voice Leadership, revela a CEO.
A primeira edição teve várias levas, ao longo de ano e meio e terminou recentemente.“É um programa único. Primeiro, formámos as pessoas, foram cerca de quatro mil as envolvidas, e agora vamos medir o impacto dessa formação no desempenho dos gestores”. Aquando do lançamento foi avançado o objetivo de impactar em 2% o PIB (produto interno bruto) português. Te-lo-ão atingido?
“Temos a convicção que foi atingido, mas é preciso confirmar quantitativamente”, respondem os nossos interlocutores. É esta a fase em que nos encontramos - a avaliação do impacto realmente causado.
Também servirá para calibrar a segunda edição, ainda sem data de lançamento definida, mas que é possível antecipar, envolverá mais inteligência artificial (IA), considerada já uma ferramenta essencial para aumentar a eficiência, melhorar a tomada de decisões e impulsionar a inovação. “A grande preocupação da nossa Escola de forma mais abrangente é tentar ter impacto na produtividade de Portugal - diz Pedro Oliveira - e este programa pode, de facto, ter mesmo impacto real a nível nacional”.
O Santander Money Club - desenhado por colaboradores do banco em colaboração com alunos da Nova SBE - é vizinho do laboratório com tecnologia de IAque a NOVASBEutiliza e disponibiliza aos seus parceiros, seja ele “um banco como o Santander, ou uma PME como as que vão beneficiar do Voice Leadership”, para que “possam fazer experiências em ambiente completamente seguro antes de pensarem em implementar”.
O laboratório permite, por exemplo, medir expressões faciais a todas as reações que a pessoa tem quando recebe uma boa notícia. Ou a uma empresa de logística testar como as equipas de armazém se adaptam quando sistemas autónomos entram nos fluxos de trabalho. Ou a uma seguradora redesenhar o modelo de atendimento ao cliente com base na IA conversacional.
Ainteligência artificial é o grande desafio dos nossos dias. No universo do grupo Santander, diz Isabel Guerreiro, “Portugal não fica atrás” na utilização desta alavanca fundamental”. ACEOlembra que o grupo propõe-se impactar mil milhões de euros na conta dos resultados até 2028, dos quais 200 milhões já este ano. A propósito, diz ainda que há grande procura pelos cursos de IA na plataforma de educação Santander Open Academy, que já regista meio milhão de empresas e pessoas.
Olhamos o futuro a partir do campus de Carcavelos. “O que é preciso levar daqui são capacidades que permitam, perante qualquer situação, saber como se chega a um resultado”, diz o dean da mais bem sucedida escola de negócios portuguesa. “Curiosidade, pensamento crítico, não ter medo de ter ambição e de tomar algum risco”, vai enumerando Isabel Guerreiro, para concluir:são essenciais para garantir a sustentabilidade, quer se trate de pessoas, de empresas ou do país.
Nova SBE e Santander no apoio à formação de PME em Portugal
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Parceria : Relação entre banco e escola de negócios não se esgota no financiamento do campus, nem no apoio a bolsas. Iniciativas conjuntas incluem capacitação de pequenas e médias empresas.