Dizer que (Sir) Alfred Hitchcock é mestre do suspense será estafado e redutor. A sua cinematografia eternizou-se com os mais de 40 filmes que realizou e participou. Sim, são célebres as suas aparições relâmpago, os famosos cameo, para usar a terminologia anglo-saxónica. Tal como é famoso o apodo de ‘mestre do suspense’. Imortalizado pelos futuros cineastas da chamada Nouvelle Vague, que se declaravam profundos admiradores de Hitchcock, as suas afirmações categóricas agitaram as hostes no seu tempo. Como? Proclamando, alto e bom som, que “Hitchcock é um dos maiores inventores de formas em toda a história do cinema.”
Uma postura arrojada e desferida em uníssono por Claude Chabrol e Eric Rohmer, então, críticos dos Cahiers du Cinéma, num livro intitulado simplesmente “Hitchcock”. Corria o ano de 1957 e, por essa altura, o cineasta britânico ainda não tinha assinado alguns dos filmes que hoje fazem parte do vocabulário dos cinéfilos. A Mulher Que Viveu Duas Vezes, Psico, Os Pássaros, Janela Indiscreta, A Corda, O Homem que Sabia Demais. François Truffaut, jovem cineasta da Nouvelle Vague, não descansou enquanto não se sentou ao seu lado, em 1962, durante uma semana, numa sala dos estúdios da Universal, para uma série de entrevistas sobre cinema.
Tensão, risco e suspense
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Alfred Hitchcock, o cineasta que investiu no risco e na tensão, é objeto de uma vasta retrospetiva no cinema Nimas, em Lisboa. A 2ª parte do ciclo já está em curso, com 15 novos títulos.