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Tecnologia lidera criação de emprego na zona euro desde a pré-pandemia com Portugal em destaque

"Em relação à dimensão da população economicamente ativa, os aumentos são mais acentuados em alguns dos países bálticos (Lituânia, Letónia), bem como na Irlanda e em Portugal", diz a research do BNP Paribas.

O emprego ligado à tecnologia foi o setor que mais criou emprego na zona euro, entre o quatro trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2025, de acordo com dados do BNP Paribas. Esta área foi responsável pela criação de 1,6 milhões de empregos de um total de sete milhões. "Em relação à dimensão da população economicamente ativa, os aumentos são mais acentuados em alguns dos países bálticos (Lituânia, Letónia), bem como na Irlanda e em Portugal", refere a instituição financeira.

Na lista segue-se as atividades de saúde humana e trabalho social com 1,4 milhões de empregos criados desde o final de 2019. As atividade científicas e técnicas (que antes eram englobadas na área de alta tecnologia) foram responsáveis por 1,1 milhões de emprego.

Em seguida surge a educação com a criação de 900 mil empregos, ficando à frente das atividades de acomodação e serviços de alimentação (+600 mil), a construção (+600 mil), a administração pública e defesa (+500 mil), artes, entretenimento, e recreação (+300 mil), as utilities (+300 mil), as atividades imobiliárias (+300 mil), o transporte e armazenamento (+300 mil), outras atividades de serviços (+300 mil), as atividades financeiras e de seguros (+200 mil), o comércio grossista e retalhista (+200 mil), fornecimento de água, e gestão de esgotos e lixo (+100 mil), e atividades de serviços administrativos e de suporte (+100 mil).

Com saldo negativo surge as atividades das famílias enquanto empregadoras (-400 mil), a agricultura, floresta e pesca (-400 mil), a manufatura (-200 mil), as info-com (que eram as antigas empresas de alta tecnologia) com -100 mil.

O trabalho do BNP Paribas, elaborado por Guillaume Derrien, mostra que o emprego industrial "está a diminuir", particularmente nos setores automóvel e de bens intermédios, mas numa escala muito menor.

"Entre o quarto trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2025, o setor automóvel registou uma redução de 210.500 postos de trabalho, o setor dos plásticos e borracha teve uma redução de 182 mil postos de trabalho e a indústria da coqueificação e refinação de petróleo perdeu 13.300 postos de trabalho, refere o BNP Paribas.

A instituição sublinha ainda que a "tendência positiva" do emprego no setor tecnológico "está em linha" com o "aumento contínuo do investimento" em produtos de propriedade intelectual.

"Embora estes investimentos ainda não tenham atingido os níveis observados nos Estados Unidos, estão, no entanto, a crescer, atingindo quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2025, em comparação com 6,5% do outro lado do Atlântico", explica o BNP Paribas.

"Ao longo de um período de doze meses, o investimento em produtos de propriedade intelectual na zona euro representou 4,7% do PIB", sublinha a instituição bancária.

Alemanha é exemplo da criação de emprego na área tecnológica

O BNP Paribas considera que a Alemanha é talvez o melhor exemplo desta tendência [da subida do emprego nas áreas tecnológicas].

"Desde o quarto trimestre de 2019, o emprego total diminuiu em 220 mil postos de trabalho (-0,5%), principalmente devido ao declínio nos setores da indústria transformadora (-319 mil) e da construção (-210 mil), enquanto os empregos na área tecnológica registaram um aumento de 580 mil", salienta a instituição bancária.

O trabalho elaborado por Guillaume Derrien salienta que apesar dos seus "desafios estruturais" e em resposta aos mesmos, a economia alemã "está a sofrer uma transformação".

O estudo de Guillaume Derrien sublinha que esta transformação é evidenciada pela nova estrutura do índice bolsista alemão DAX, que é agora "amplamente influenciada pela avaliação de duas empresas tecnológicas [SAP e Siemens], que, embora consolidadas, redefiniram os seus papéis dentro do ecossistema de inteligência artificial".

O BNP Paribas salienta que esta mudança no mercado de trabalho no sentido de atividades relacionadas com os setores tecnológico, digital e informático é evidente em vários países europeus, entre os quais: Espanha (+230 mil empregos desde o quarto trimestre de 2019) e em França (+180 mil).

"Em relação à dimensão da população economicamente ativa, os aumentos são mais acentuados em alguns dos países bálticos (Lituânia, Letónia), bem como na Irlanda e em Portugal", refere a instituição financeira.

Na sua análise, o banco de investimento olha para a evolução em termos de emprego das três categorias profissionais estatísticas relacionadas com o setor tecnológico e de informação – em específico, ‘Consultoria e programação informática e atividades relacionadas’, ‘Atividades dos serviços de informação’ e ‘Pesquisa científica e outras atividades de desenvolvimento’. Comparando com os dados disponibilizados pelo INE, o crescimento médio do emprego nestes segmentos em Portugal entre 2019 e 2024 foi de 9,4%, 3,7% e 6,9%, respetivamente.

Face a isto o BNP Paribas considera que "não há dúvida" de que os desenvolvimentos tecnológicos em curso, particularmente os relacionados com a inteligência artificial (um setor no qual a Europa está, em alguns aspetos, em pé de igualdade com os Estados Unidos), "redesenharão o equilíbrio económico" dentro da Zona Euro, mas também, de forma mais geral, dentro da União Europeia (UE).

"Embora reconheçamos os desafios que a Europa enfrenta atualmente, não devemos subestimar as mudanças estruturais em curso, que deverão impulsionar maiores ganhos de produtividade e fomentar o crescimento a médio e longo prazo", considera o BNP Paribas.