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Tango da privatização da TAP dança-se a dois com dona da Iberia a ficar em terra

Dona da British/Iberia fica em terra na privatização da TAP perante impossibilidade de atingir maioria de controlo da companhia. Lufthansa e Air France-KLM passam para a próxima fase que termina a 1 de julho.

O tango da privatização da TAP vai dançar-se a dois. Lufthansa e Air France-KLM passam à próxima fase, com a IAG a ficar em terra.

A impossibilidade de atingir a maioria de controlo da companhia foi o grande irritante que levou a IAG a não avançar no processo, como já tinham feito sugerir notícias na imprensa internacional na última semana.

Este ponto seria crucial para "conseguir gerir e transformar o negócio". Trocando por miúdos, os hispano-britânicos-qataris consideraram que seria impossível atingir as margens operacionais desejadas, sem conseguirem controlar a gestão por completo. Isto é, a IAG não estava disposta a meter dinheiro numa empresa em que não consegue controlar o destino do investimento por completo.

A TAP detém margens de 8% atualmente, com a IAG a ter como meta para as suas empresas margens operacionais de 12%-15%.

Resta saber se a impossibilidade de atingir a propriedade total vai ter impacto no preço pelos 45%, pois acarreta riscos ao negócio.

A TAP foi avaliada em 1,5 mil milhões de euros pela Bernstein, com a posição de 45% a valer, pelo menos, 700 milhões de euros, nas contas dos analistas da Bernstein. Isto representa um prémio de 25% a 30% face aos parceiros europeus, perante as perspetivas estratégicas da TAP, assente na sua operação intercontinental.

Olhando para os restantes concorrentes, a Lufthansa também tem dito publicamente que deseja a maioria. Para já, não foi impedimento e os alemães continuam em jogo.

“Preferimos um caminho para a maioria, mas não vamos sair fora neste ponto. Continuamos no processo. É sempre a nossa preferência ficar com a maioria”, disse o administrador executivo Tamur Goudarzi-Pour recentemente.

Sobre o modelo de gestão, defende que a a Lufthansa precisa de ter uma “palavra substancial na gestão. Queremos garantir que a TAP tenha sucesso no futuro. Para isso é preciso certas capacidades de gestão. Isto é importante para nós”.

Deu o exemplo da italiana ITA onde a Lufthansa nomeou o CEO, com a comissão executiva a ser composta por dois elementos nomeados pela Lufthansa e três pelo Governo italiano. Também sublinhou que a Lufthansa conta com um caminho claro para a maioria na companhia transalpina.

Já a Air France-KLM (AFK) considera que tem uma vantagem neste processo: o facto de ser detida pelos governos francês (28%) e neerlandês (9%) é uma mais-valia quando chega o momento de lidar com o acionista Estado português.

Na quinta-feira, destacou a “vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais. Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma nação”.

A AFK quer criar o “hub único do grupo no Sul da Europa, oferecendo uma vasta conectividade, nomeadamente para as Américas – incluindo o Brasil, um mercado fundamental tanto para a TAP como para a Air France-KLM – e para África”, ao contrário da IAG que conta com o aeroporto de Barajas em Madrid como hub da Iberia.

Já a Lufthansa pretende reforçar a operação da TAP no Porto com voos intercontinentais. E colocar Lisboa como ponto nevrálgico da sua rede nas rotas intercontinentais.

Para o futuro da TAP há três mercados chave, todos do outro lado do Oceano Atlântico: Brasil, Estados Unidos da América e Canadá.

A companhia alemã diz que tem um registo histórico de aumentar o número de lugares disponíveis em 15% a 20% quando compra uma empresa. “Isto mostra que não desinvestimos”.

“Podemos ligar a América do Norte via Lisboa para a África lusófona. É a distância mais curta. É a vantagem de Lisboa”, disse Tamur Goudarzi-Pour da Lufthansa.

“A ligação para a América do Norte é 10% mais curta” via Portugal face a outros hubs europeus. “É uma vantagem estratégica”, segundo o gestor alemão.

Segue-se agora um período de 90 dias para as empresas realizarem a ‘due dilligence’ e entregarem as propostas vinculativas até 1 de julho.

A estatal Parpública tem agora 30 dias para entregar ao Governo um relatório a descrever as duas propostas não-vinculativas, contendo uma apreciação das mesmas, "determinando o seu mérito absoluto e relativo em função dos critérios de seleção previstos" na legislação.

Se houver lugar a pedidos de esclarecimentos a qualquer um dos interessados, o prazo de 30 dias fica suspenso  até que sejam prestados todos os esclarecimentos ou decorra o prazo que tenha
sido fixado aos proponentes para o efeito.