Depois de ter sido derrotado por António Costa nas eleições internas no PS, António José Seguro reinventou-se: dedicou-se ao ensino universitário e à gestão do empreendimento de alojamento local Casas da Penha, em Penamacor, a terra natal. Manteve-se quase sempre em silêncio sobre a atualidade política, abrindo apenas excepções para dizer: “Quando olho para o país fico perplexo com o que vejo. Acho que os portugueses merecem melhor”. Agora está a caminho de Belém, onde vai disputar a segunda volta das presidenciais com André Ventura.
António José Martins Seguro nasceu em 11 de março de 1962 em Penamacor, é mestre em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL, e licenciado em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa. Líder da Juventude Socialista (JS) entre maio de 1990 e março de 1994, começou a aproximar-se da cúpula do poder socialista. Pela mão de Guterres desempenhou as funções de chefe de gabinete do secretário-geral, foi eleito diretamente deputado nas legislativas de 1991 e, a partir de 1994, fez parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional - o núcleo duro do "guterrismo". "Com António Guterres, o PS será mais fixe", declarou a 10 de janeiro de 1992.
Em 1995, o Partido Socialista venceu as eleições legislativas, cabendo ao líder António Guterres formar governo. Seguro numa primeira fase foi secretário de Estado da Juventude e, posteriormente, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. Após uma remodelação governamental foi promovido a ministro-adjunto do primeiro-ministro.
Entre 1999 e 2001 foi deputado no Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Durante a governação de Sócrates, Seguro esteve sempre num lugar secundário na hierarquia do partido, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011. Nesse ano, após a derrota do Partido Socialista nas eleições legislativas, foi eleito secretário-geral do Partido Socialista com 68% dos votos, derrotando Francisco Assis e sucedendo a José Sócrates como secretário-geral do PS.
Em 2014, depois de um dos melhores resultados de sempre nas autárquicas e de ter vencido ainda a coligação PSD/CDS–PP nas eleições europeias, foi vista pelos críticos à liderança de Seguro como uma vitória por "poucochinho". Foram assim convocadas eleições primárias para 28 de setembro de 2014 – o dia que marca a queda de Seguro. Agora, está de volta ao combate político.