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Presidenciais: Seguro e mais três vencedores e muitos perdedores

Seguro venceu, destacado, quando falta apurar o resultado de 12 consulados. Mas o jogo das presidenciais ainda vai a meio. Nas eleições mais disputadas de sempre, foram muitos os perdedores.

António José Seguro e André Ventura foram os dois mais votados nas eleições deste domingo, 18 de janeiro, e passam à segunda volta das presidenciais. São os grandes vencedores, por larga margem, de uma disputa que teve muitos perdedores e que terminou de maneira muito diferente do que se antecipava há um ano ou há seis meses.

Seguro foi o mais votado, com 31,14% do total, ganhou. Mas venceu mais do que esta primeira volta: regressou à política, pela porta grande. Pelo caminho, obrigou um PS renitente, que o defenestrou par dar lugar a António Costa, a caminhar ao seu lado, e nas presidenciais mais disputadas de sempre foi maior que o partido, obtendo mais nove pontos percentuais do que os socialistas conquistaram nas últimas legislativas.

Se chegar a Belém, mesmo com todo o peso do percurso político que fez, será muito mais Seguro do que PS.

Depois, incontornável, André Ventura. Foi a jogo, mesmo com o risco de disputar eleitorado com Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes e, mesmo, João Cotrim de Figueiredo, e saiu por cima. Bateu todos à direita, conquistou 23,48% dos votos e avança para a segunda volta.

Sendo o Chega encarado com uma sociedade unipessoal, Ventura ganhou pouco mais, em percentagem, do que o partido nas últimas legislativas, apenas 0,7 pontos percentuais, mas vai disputar a Presidência com seguro e é expectável que conquiste mais votos. Aliás, mesmo sem contar Gouveia e Melo, sempre indeciso no posicionamento, os candidatos de direita arrebanharam mais de metade dos votos.

“Eu vou agregar a direita a partir de hoje”, disse André Ventura, na noite eleitoral. Emancipando-se de Pedro Passos Coelho e falando para Luís Montenegro, primeiro-ministro, ouvir.

João Cotrim de Figueiredo também venceu. Foi um prémio de consolação, porque não logrou passar à segunda volta das eleições, mas foi mais do que inicialmente se esperava e, mesmo com o desastre da última semana de campanha eleitoral, obteve 15,99% dos votos, quase o triplo do que o partido obteve nas legislativas.

A questão, agora, é saber o que Cotrim de Figueiredo vai fazer com o que conseguiu.

Na lista de vencedores, as empresas de sondagens, que têm vindo a ver o chão fugir-lhes de debaixo dos pés, com erros sistemáticos, alguns deles graves. Mas não desta vez, mesmo com um quadro eleitoral extremamente volátil, que foi evoluindo todas as semanas.

As tendências que se foram definindo, confirmaram-se. E as últimas sondagens, à boca das urnas, no dia da eleição, bateram certo com a realidade, nas posições relativas e em quase todos os principais intervalos. Ignoramos quem obteve menos de 1%.

Muitos perdedores

Nas mais concorridas eleições presidenciais, que motivaram uma segunda volta pela segunda vez em democracia, a lista de perdedores também é extensa. Tanto de candidatos como de apoiantes.

À cabeça, Luís Marques Mendes, o candidato da aliança PSD/CDS-PP, a coligação que está no governo, e que nunca se afirmou plenamente como candidato. O melhor que as sondagens lhe apontaram foi 19% (sem contar com indecisos), um resultado aquém do necessário para avançar para disputar uma segunda volta. No final, conseguiu 11,32%.

Com um tão mau resultado, muito longe dos 31,21% da AD nas legislativas, Luís Montenegro, o PSD e o CDS-PP também perdem. A maioria parlamentar relativa vai ter de enfrentar André Ventura em crescendo e isso é um problema, mesmo que o presidente do Chega não consiga alcançar Belém.

A seguir, Henrique Gouveia e Melo, que partiu, há menos de um ano, quando nem sequer era oficialmente candidato, de uma posição em que os estudos lhe atribuíam mais de 60% das intenções de voto para uma realidade nas urnas em que se ficou por 12,34% dos votos. Rodou, sem posição, não compreendeu de onde vinha o apoio que lhe declaravam, e caiu com estrondo, dando razão a quem não o considerava experiente para a política.

Depois, uma derrota expressiva foi a do legado da Geringonça. António José Seguro não é o PS de Costa, longe disso, e Catarina Martins (BE) e António Filipe (PCP) não podem ousar beneficiar desta vitória. Em conjunto, obtiveram 3,7% dos votos, um desastre. Se a estes juntarmos Jorge Pinto, do Livre, onde se refugiaram muitos votos que permitiram que o PS se mantivesse mais de oito anos no poder, não chegam a 5%. Quase metade do que obtiveram estes partidos nas últimas legislativas. Encerra-se um ciclo.

Finalmente, há uma parte do PS que também saiu derrotada. São os herdeiros de António Costa e, mais ainda, de Pedro Nuno Santos, não aceitaram António José Seguro até à última hora ou que não o apoiaram de todo. Augusto Santos Silva surge à cabeça da lista. O futuro dirá se o PS aproveita este embalo para se recentrar.