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Regresso às aulas marcado pela preocupação com dados PISA

Portugal perdeu um ano e meio de escola em sete anos. Especialistas lançam alertas e apontam vias de solução. Entre os alunos do Básico que hoje iniciam o regresso às aulas estão os do PISA 2029.

Os alunos do PISA de 2029 contam-se entre aqueles que a partir desta sexta-feira, 11, e até 15 de setembro, regressam às aulas. Estão hoje no 7.º ano. Serão capazes de inverter a trajetória ou acabarão por aprofundá-la? Só nessa altura se saberá.
O ano letivo de 2026-2027 arranca ao som de campainhas em alerta geral.
“Estamos a afastar-nos dos melhores”, afirma Nuno Crato, antigo ministro da Educação, no ISEG, em Lisboa, no dia seguinte ao da publicação dos resultados do PISA2025.
Na mesma conferência dedicada aos 25 anos do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, promovido, pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico), Pedro Freitas, investigador e professor na Universidade de Oxford confessa:“Os dados mostram que devemos estar muito preocupados com o futuro”.
No PISA 2025, os alunos portugueses apresentam os piores resultados desde 2000 em Leitura e desde 2003 em Matemática, recuando mais de 20 anos no rendimento escolar. Mesmo em Ciências, o único valor que mais se aproxima da média da OCDE, é um regresso às origens. “Em anos de escola, a conta é simples”, explica Pedro Santa Clara, fundador em Portugal da Escola 42 e da TUMO. “A OCDE trata cerca de vinte pontos na escala PISA como um ano de aprendizagem. Portugal caiu, desde 2018, 32 pontos em Matemática e 30 em Leitura: ano e meio de escola perdido em sete anos de calendário”,
Embora os dados retratem uma tendência de declínio global, em parte explicada pelo impacto da digitalização e novos hábitos de estudo, há países que se mantêm, outros que progridem, como a Inglaterra e a Estónia e outros que tombam como Portugal.
Para Nuno Crato, “é impossível olhar para Portugal e não tirar conclusões”. A subida até 2015 foi o resultado de uma série de políticas que estavam “centradas nos resultados”, a reversão dessas políticas nos anos que se seguiram conduziu aos resultados de agora. O novo paradigma curricular incluiu redução de conteúdos e fim da avaliação externa.
É neste quadro de sobressalto geral que até terça-feira perto de um milhão de alunos do Ensino Básico regressa às escolas, a que se juntam no dia 21 pouco menos de 400 mil alunos do secundário. No ano letivo de 2024/2025 (dados oficiais anuais mais recentes), havia, segundo a Pordata, 2.078.116 alunos inscritos no sistema educativo, quase mais 10 mil do que um ano antes. O crescimento tem na base os Ensinos Básico e Superior e reflete, em grande medida, o aumento impulsionado pela imigração.No rol de causas apontadas para o descalabro no PISA consta também o grande número de alunos que não têm como língua materna o português.
Se, como refere a FNE - Federação Nacional da Educação, “o ano letivo só começa verdadeiramente para todos quando cada aluno tem todos os professores de que necessita”, ainda não estamos lá. O ministro da Educação, Fernando Alexandre situou em mais de dois mil os horários vagos nas escolas, tendo prometido um balanço mais preciso para este final da semana. Embora o número de diplomados em cursos para ser professor esteja a crescer há seis anos consecutivos, não assegura ainda a substituição dos mais de três mil que se reformam anualmente. A Pordata regista 9.466 diplomados na áreas da educação entre 2021 e 2025, mais 1.585 do que nos cinco anos anteriores.
Os dados mostram que a quantidade está a ser trabalhada, mas e a qualidade? Pedro Freitas alerta para o problema: “Não basta atrair para novos professores, há que os formar bem na sua componente científica, aboslutamente fundamental para inverter esta tendência”.
Pedro Santa Clara insiste numa reforma profunda do sistema educativo. E não se cansa de repetir: “Se queremos resultados diferentes, a reforma tem de mudar a regulamentação, a governança e os incentivos. Autonomia às escolas para contratar, pagar, promover e despedir professores. Financiamento que segue o aluno, igual para todos à partida e majorado para quem custa mais a ensinar, para a escola que a família escolher, pública ou privada, com as mesmas exigências.”

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