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Reforço das políticas para “salvar economia”

Empresas : AEP e CTP revelam preocupação com os incêndios e pedem intervenção “urgente nas zonas mais sensíveis” para evitar o “flagelo”do fogo.

As empresas portuguesas assumem preocupação com a situação dos incêndios e pedem que sejam tomadas decisões para que este problema não afete ainda mais a economia do país.
“É imperativo um reforço das políticas de prevenção e combate aos incêndios florestais, não apenas como uma medida de proteção ambiental e de segurança pública, mas também como uma estratégia crucial para salvaguardar a economia nacional”, afirma ao Jornal Económico (JE), Luís Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP).
O responsável sublinha que o impacto dos incêndios florestais é profundo e duradouro na economia e que vai muito além dos custos imediatos de combate e dos danos materiais.
“São eventos catastróficos que afetam negativamente o crescimento do PIB regional, o emprego em setores-chave como o turismo e o comércio, e têm consequências a longo prazo para a atratividade turística das regiões afetadas”, refere.
Luís Ribeiro aponta para um estudo de 2023, no qual os investigadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e da Universidade de Berna, na Suíça, analisaram o impacto dos incêndios florestais no crescimento económico em Portugal e em outros países do sul da Europa, cujas conclusões desse estudo indicam uma redução média na taxa de crescimento anual do PIB regional entre 0,11% e 0,18% nos anos em que ocorrem incêndios florestais.
“Embora este impacto possa parecer pequeno, os investidores destacam que ele se acumula ao longo do tempo e afeta de forma diferente os vários setores económicos”, realça.
Por sua vez, Álvaro Mendonça e Moura, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), alerta para “perdas irreparáveis” para muitos produtores, cuja atividade agrícola, pecuária ou florestal foi totalmente ou largamente comprometida, uma situação que, para alguns, poderá ser de fim de linha.
“Se o Governo quiser enfrentar este flagelo, então terá de começar pelo básico, garantir que os terrenos florestais e rurais têm viabilidade económica, que produzem valor e que remuneram quem deles tem de cuidar”, salienta.
O presidente da CAP lamenta que as associações de agricultores e de produtores florestais tenham sido ignorados no desenho das medidas anunciadas pelo Executivo e no processo de comunicação e avaliação de prejuízos. “Sem envolver quem conhece profundamente a floresta e os terrenos agrícolas será impossível desenhar uma estratégia que produza resultados”, afirma.
Apesar disso, a CAP congratula-se com a celeridade do Governo na apresentação, genérica, de medidas, mas que “será difícil compreender em ano de autárquicas a centralidade que se quis entregar às câmaras, muitas delas sem competências técnicas”.
Quem também se mostra preocupado com o flagelo dos incêndios é Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), nomeadamente na região Centro, uma vez que as imagens dos incêndios chegam às televisões de vários países emissores, o que no seu entender “pode começar a colocar em causa a escolha dos turistas para marcarem férias em regiões turísticas sempre mais afetadas pelos fogos”.
O presidente da CTP considera que é preocupante a consequência dos incêndios ao nível da sustentabilidade ambiental de várias regiões, assim como da paisagem natural que vai desaparecendo, sendo este um dos pontos fortes de atração para quem quer fazer turismo de natureza.
A entidade diz que tem estado a acompanhar de perto a situação dos incêndios junto do Governo, das entidades de turismo das regiões mais afetadas, assim como dos associados e das empresas que estão a sofrer maiores consequências”, dos incêndios.
Francisco Calheiros pede que as entidades competentes “tenham uma intervenção urgente nas zonas mais sensíveis”, de forma que sejam implementadas medidas estratégicas de fundo que “evitem o flagelo do fogo” a que o país assiste todos os anos e que começa a ter consequências negativas para o turismo.

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