A vaga de incêndios que atingiu Portugal trouxe novamente para cima da mesa a necessidade de combater, mas acima de tudo prevenir um cenário que deixa o país manchado de cinzas. “A prevenção é importante porque é um investimento que o país tem de fazer todos os anos para prevenir o custo dos incêndios”, diz ao Jornal Económico (JE), Carlos Brito, presidente da delegação Norte da Ordem dos Economistas, que através da análise de estudos feitos sobre os incêndios em Portugal, revela que o país quer em intervenção quer em combate gasta muito mais do que gastava em 2017, ano da tragédia de Pedrógão Grande.
“Posso dizer que em prevenção dos incêndios, aquilo que Portugal gasta atualmente é cerca de oito a 10 vezes mais do que gastava em 2017. O total anda na casa dos 500 milhões de euros em prevenção e combate e a parte da prevenção corresponde a mais de 50%, ou seja, por alto deve rondar os 250 milhões ou mais em prevenção, por ano. Em 2017 gastava cerca de 30 milhões de euros”, afirma Carlos Brito.
O responsável estima que o impacto económico dos incêndios em Portugal este ano podem ser de 2,3 mil milhões de euros, abrangendo danos diretos e indiretos, mas também o efeito sistémico” que inclui a perda dos ecossistemas, mas também o aspeto social e ambiental e a perda de confiança nas instituições.
O economista aponta três componentes que podem ajudar a recuperar esta verba e que no seu entender não fogem muito daquilo que são as medidas do Governo.
“É preciso em primeiro lugar repor as habitações para quem as perdeu, nomeadamente de primeira habitação, que é o mais básico, mas também indústria, as explorações agrícolas etc.”, afirma, salientando que depois é preciso pensar a médio prazo, e fazer com que o território afetado volte a ter capacidade de criação de riqueza.
“Estamos a falar de medidas de cinco a seis anos. É importante é que essas atividades económicas valorizem o território e seria importante apostar em atividades com cadeias de valor relativamente curtas, mas que valorizem aquilo que são os produtos endógenos da região”, sublinha.
Em relação às medidas do Governo, o economista defendeu que é preciso um reordenamento florestal e do território, mas alerta que esse reordenamento não se faz com subsídios.
“Esse reordenamento faz-se fundamentalmente com uma coisa, tornando os territórios mais geradores de riqueza, porque se é com subsídios é como se fosse dar uma esmola ao parente pobre”, enfatiza.
Como tal, acrescenta Carlos Brito que pelo facto de os incêndios se registarem mais no interior, que esta região seja geradora de riqueza, até para evitar uma maior desertificação.
Em relação aos setores mais atingidos pelos incêndios, o economista destaca além da parte turística, tudo aquilo que tem a ver com a parte agroindustrial, bem como a área dos seguros.
“Se as pessoas tivessem, nomeadamente aquilo que é passível de seguros, não uma floresta, mas uma habitação ou uma instalação industrial, se estivessem seguras pelo valor que efetivamente tem, o segurador podia ser afetado”, explica.
Portugal gasta hoje 10 vezes mais na prevenção do que em 2017
Incêndios : Estimativa da Ordem dos Economistas indica que a prevenção de fogos custa entre 250 a 280 milhões por ano, quando, em 2017, na tragédia de Pedrógão Grande, gastou cerca de 30 milhões. Mas esta é uma despesa que o país tem de fazer anualmente para prevenir o custo dos incêndios. Turismo do Centro acredita que vai conseguir reerguer a região.
