Na zona euro, a taxa de desemprego atingiu 5,9% em meados de 2025, o valor mais baixo desde o início da série harmonizada do Eurostat em 2009. Este patamar contrasta com os 11,5% registados em 2013, no auge da crise da dívida.
“Apesar dos progressos, a escassez de mão-de-obra e o envelhecimento demográfico tornam o mercado de trabalho vulnerável a choques. Sem imigração e políticas ativas, as pressões salariais serão difíceis de conter”, adverte a presidente do BCE, Christine Lagarde.
Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego ronda 4,1%, após ter atingido 3,4% em 2023, o nível mais baixo desde 1969. Uma taxa baixa.
As políticas migratórias têm provocado um “abrupto abrandamento do crescimento da força de trabalho”, defendeu Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, avisando o que torna mais difícil cumprir as metas de estabilidade de preços e de pleno emprego.
O Reino Unido apresenta uma taxa de desemprego de cerca de 4,6%, acima do mínimo recente de 3,6% em 2022, mas ainda historicamente baixa. A série britânica, que remonta a 1971, só registou valores inferiores nos anos imediatamente anteriores à crise petrolífera de 1973.
Estes níveis reduzidos de desemprego coincidem com taxas de emprego próximas de máximos. Na União Europeia, a taxa de emprego ultrapassou os 75% da população ativa, enquanto nos Estados Unidos permanece acima de 60%, níveis elevados por padrões históricos. No Reino Unido, a taxa de emprego recuou ligeiramente desde 2022, mas mantém-se sólida.
Os bancos centrais avisam que os mercados laborais excessivamente apertados podem alimentar uma espiral de salários e preços, especialmente quando combinados com políticas migratórias mais restritivas. Lagarde resumiu: “Sem uma resposta coordenada que inclua imigração, formação e inovação, a escassez de trabalhadores será um travão ao crescimento europeu.” Powell foi ainda mais direto: “A economia americana não pode crescer sustentadamente com uma base laboral a encolher.”
Com taxas de desemprego em mínimos e uma oferta de trabalho mais limitada, os próximos meses serão decisivos para perceber se as políticas monetárias e migratórias conseguem evitar que a solidez do emprego se transforme em fragilidade macroeconómica.
Quando o desemprego baixo passa a ser um risco económico
As principais economias desenvolvidas estão a ser testadas para conseguirem manter um delicado equilíbrio entre taxas de desemprego em níveis historicamente baixos e necessidade de crescimento, enquanto aumentam as pressões sobre a oferta de trabalho e a inflação.
