Skip to main content

Bancos centrais chocam de frente com decisores políticos

Imigração : Os governantes têm endurecido as regras para a imigração, de forma generalizada. Agora, os líderes dos bancos centrais do Estados Unidos, da Europa, do Reino Unido e do Japão vêm dizer que, assim, as economias não vão crescer e vamos todos ficar pior. Éum choque frontal entre duas visões.

É visível que as políticas de imigração se tornaram mais rigorosas nos países desenvolvidos, devido a alterações de perceções das sociedades, a preocupações com a oferta de serviços públicos e a questões de identidade nacional. Também por motivações políticas, com a direita populista a ganhar projeção.
Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos da América (EUA) prometendo deportar um milhão de imigrantes anualmente. Desde que regressou à Casa Branca, em janeiro, pelo menos 180 mil pessoas foram deportadas pela Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, no acrónimo em inglês). São 1.500 por dia, a caminho de um recorde, mas longe da meta fixada.
Uma análise dos dados dos censos feita pelo Pew Research Center revela que a população estrangeira no país diminuiu em quase 1,5 milhões de pessoas nos primeiros seis meses do ano, pela primeira vez em décadas.
O que acontece nos Estados Unidos não é caso único entre os países desenvolvidos.
O Governo alemão anunciou a suspensão de programas de reagrupamento familiar de imigrantes e o reassentamento de refugiados, procurando responder ao crescimento da AfD, de extrema-direita. Na Grécia foi aprovada uma lei que prevê a detenção indefinida de imigrantes, incluindo resgatados no mar, em centros, e outra que considera a aplicação de multas, a prisão ou a deportação para aqueles cujo asilo for negado. Todos aprovaram formas de acelerar processos de deportação, incluindo a União Europeia.
Em Portugal, a Lei de Estrangeiros, que restringe o reagrupamento familiar e dificulta os vistos para procura de trabalho, foi considerada inconstitucional e valeu críticas por parte dos integrantes da Comunidade dos País de Língua Portuguesa.
Esta é uma face da moeda, política, social e cultural, mas a outra face é económica e a leitura é antagónica, porque os trabalhadores estrangeiros são vistos como essenciais para o crescimento nos países desenvolvidos, que enfrenta um mercado laboral em envelhecimento acelerado.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico