A maior privatização realizada na Bodiva, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola, fechou no preço máximo e com uma procura 20,72% acima da oferta. O Estado vendeu 15% da operadora de telecomunicações Unitel por 300,3 mil milhões de kwanzas (cerca de 288 milhões de euros), através da colocação de 7,5 milhões de ações a 40.040 kwanzas (38,4 euros) cada. Entraram 11.264 novos acionistas para o capital da empresa, depois de terem sido apresentadas 17.549 ordens de subscrição.
Na estreia em bolsa, as ações da Unitel subiram 24,88% face ao preço da oferta, com o mercado a avaliar a maior operadora móvel angolana em 2,5 biliões de kwanzas (cerca de 2,4 mil milhões de euros). A operação levou para o mercado acionista a empresa que, em 2025, detinha 73,3% das telecomunicações móveis em Angola, tinha cerca de 20 milhões de clientes e registara um lucro de 158 mil milhões de kwanzas (151,5 milhões de euros).
Até agora, este é o ponto mais alto do Programa de Privatizações de Angola (ProPriv), ultrapassando a oferta pública de venda (OPV) do Banco de Fomento Angola, concluída em setembro de 2025, com um encaixe de 220,9 mil milhões de kwanzas (205,7 milhões de euros). Em conjunto, as duas operações mostram a mudança de escala da bolsa angolana, que passou a acolher grandes empresas do país.
“Fantástica!” Foi assim que Álvaro Fernão, presidente do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), classificou a operação. “Constitui um sinal evidente da confiança dos investidores na empresa e no potencial de crescimento do mercado de capitais angolano”, afirmou Cristina Lourenço, presidente da comissão executiva da Bodiva.
Para a bolsa angolana, o ProPriv tem sido essencial para aumentar o número e a dimensão dos emitentes. As privatizações parciais permitiram colocar em bolsa participações do Banco Angolano de Investimentos, do Banco Caixa Geral Angola, da seguradora ENSA, da própria Bodiva, do Banco de Fomento Angola e, agora, da Unitel.
O ProPriv tinha concluído 120 privatizações desde 2019. O valor contratualizado até julho ascendia a 1.283 mil milhões de kwanzas (cerca de 1,23 mil milhões de euros), embora 16,9% permanecesse em incumprimento. Com a Unitel, são 121 operações, que geraram 1.583,3 mil milhões de kwanzas (cerca de 1,52 mil milhões de euros).
Dos 121 ativos vendidos, 32 eram empresas consideradas de referência, 27 correspondiam a participações e ativos da Sonangol, a petrolífera angolana. Outras 18 eram unidades industriais da Zona Económica Especial Luanda-Bengo e 43 integravam o grupo de “outras empresas e ativos”. Entre as operações concluídas encontram-se bancos e participações financeiras, unidades têxteis, fábricas de materiais de construção, embalagens, plásticos, estruturas metálicas e equipamentos elétricos, ativos ligados à cadeia de serviços da Sonangol, explorações agrícolas e unidades hoteleiras. E a própria Bodivda, claro.
No turismo, foram privatizados 15 hotéis por 50,9 mil milhões de kwanzas (48,8 milhões de euros). Seis estavam operacionais e nove em fase de arranque, mantendo 186 postos de trabalho e criando outros 277.
ProPriv : Programa de privatizações entra na reta final
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Já foram vendidas participações em 121 empresas, que permitiram ao Estado angolano encaixar 1,52 mil milhões de euros. Seis delas estão cotadas na Bodiva e são âncoras do mercado de capitais. Até ao final deste ano estão previstas mais nove operações.