O setor do calçado em Portugal continua a sentir os efeitos de um mercado externo e interno mais fraco. Nos 11 meses de 2025, o valor da produção nacional recuou 5%, fixando-se nos 2.100 milhões de euros, segundo dados da Informa D&B. Este decréscimo mantém a tendência negativa registada entre 2023 e 2024, num contexto marcado pelo enfraquecimento da procur
No plano das exportações, e considerando a totalidade dos 12 meses do ano, o seu valor é de 1.718 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 0,8% face a 2024.
Nos 11 meses as empresas portuguesas venderam calçado no valor de 1.607 milhões de euros, o que representa uma queda de 5,7% face ao ano anterior. Já as importações, no mesmo período, cresceram 10,5%, alcançando os 870 milhões de euros, pressionando o superavit comercial, que diminuiu de 918 milhões em 2024 para 737 milhões em 2025.
A Alemanha mantém-se como o principal mercado externo para o calçado português, com uma quota de 24,3% das exportações nos primeiros onze meses do ano. Seguem-se França, com 20%, e Países Baixos e Espanha, ambos com cerca de 11% de participação.
O calçado em couro continua a dominar a produção nacional, representando cerca de 88% do valor total produzido e aproximadamente 68% do número de pares fabricados.
Apesar da retoma observada em 2022, o número de fabricantes mantém uma trajetória descendente, tendo-se fixado em 1 822 empresas em 2024, menos 7,2% face ao ano anterior. O emprego no setor acompanha este declínio, com cerca de 31 300 trabalhadores no último ano, após variações negativas em 2023 e 2024.
No panorama da concentração empresarial, as cinco maiores empresas representam apenas 13% do total de vendas, enquanto as dez maiores alcançam 20%, evidenciando um setor fragmentado, composto sobretudo por pequenas e médias empresas.
O recuo na produção e a diminuição do superavit comercial refletem um desafio persistente para o calçado português, que enfrenta a necessidade de inovar e diversificar mercados para sustentar a sua relevância internacional.
