A Izertis, consultora tecnológica espanhola, tem vindo a reforçar a sua estratégia de crescimento internacional a partir de Portugal, que começa a ser encarado pelos clientes como um “hub a partir do qual podem desenvolver serviços”, afirma Roberto Delgado Prieto, chief international officer da Izertis.
Para a empresa o mercado português define-se numa palavra “oportunidade”. Por um lado, é um mercado que mantém “ritmos de crescimento próximos dos 10%, impulsionados por investimentos estratégicos em áreas como a inteligência artificial e a cibersegurança” e, por outro, é um mercado que permite “responder à procura de mercados de elevado valor, como o Reino Unido ou a Suíça, apoiando-nos num talento tecnológico altamente qualificado e competitivo”, refere.
Perante esta realidade, o nosso país torna-se uma “peça-chave na estratégia de crescimento internacional” da empresa.
Apesar de não divulgar valores dos investimentos realizados, Roberto Delgado Prieto aponta que Portugal “é um território claramente prioritário para nós e onde continuaremos a investir”. Para a empresa, Portugal é um mercado com “elevado potencial de crescimento” e onde pretende “reforçar a sua posição nos próximos anos”.
Nos últimos tempos, a empresa tem identificado um “interesse crescente” por parte dos clientes europeus em utilizar Portugal como um hub de desenvolvimento, o que representa “uma oportunidade muito clara” para a Izertis, que está presente em Portugal desde 2018.
Reforçar a presença no nosso país faz parte do plano de negócios 2030 da empresa, que quer que 50% da sua atividade tenha origem fora de Espanha, para tal a empresa via reforçar a sua presença na Europa e na América, e Portugal vai “desempenhar um papel relevante nesse percurso”, garante.
A empresa considera Portugal “um país-chave” nesta estratégia, sendo um “componente essencial” do seu “hub Ibéria”, a partir do qual disponibiliza serviços e capacidades de desenvolvimento.
Aliado a esta componente, o mercado português também tem “elevada qualificação do talento tecnológico”, o que, juntamente com o “excelente nível de inglês”, é um fator diferenciador relevante.
“No seu conjunto, esta combinação de talento, competitividade e vocação internacional faz de Portugal uma peça estratégica fundamental para o nosso crescimento”, afirma.
Com estas qualidades Portugal está a “consolidar-se como um dos polos tecnológicos mais interessantes da Europa”, sendo que o seu papel como hub tecnológico está “cada vez mais evidente”.
Apesar do mercado nacional ter evoluído de “forma muito significativa”, tendo agora organizações com um maior grau de maturidade digital e projetos mais ambiciosos, o mercado ainda tem espaço para crescer. “Cada vez mais clientes procuram competências de consultoria e desenvolvimento apoiadas em Portugal, especialmente no contexto dos modelos de nearshoring”, refere.
Uma das formas do mercado crescer é através de investimentos nestas áreas, que na opinião de Roberto Delgado Prieto “representa uma oportunidade muito relevante”.
Contudo, o mercado também apresenta desafios para as empresas, nomeadamente no que toca à “atração e retenção de talento”. “O que observamos é um mercado com um enorme potencial de crescimento, onde a capacidade de atrair talento, oferecer especialização e executar com qualidade será determinante”, afirma.
Falar de tecnologia hoje em dia é falar também de cibersegurança, que já é uma “prioridade estratégica de negócio”. Qualquer empresa compreende que a sua reputação e a sua continuidade operacional dependem do “seu nível de proteção”.
“A cibersegurança consolidar-se-á como um elemento estrutural do negócio, integrada desde a conceção em todos os processos e com um peso crescente na agenda das equipas de gestão”, indica.
Para o futuro, esta segurança vai ganhar “ainda maior relevância”, impulsionado por três fatores, “aumento exponencial da digitalização, a crescente sofisticação das ameaças com o surgimento da inteligência artificial e um enquadramento regulatório cada vez mais exigente”, declara.
Empresa fecha 2025 com receitas recorde
O ano passado foi um ano positivo para a empresa que fechou com um recorde de 166.9 milhões de euros em receitas e um EBITDA de 24.1 milhões de euros.
Com base nestes resultados a consultora concluiu um financiamento concedido por um grupo de instituições financeiras no valor de 133,5 milhões de euros, com prazo de seis anos. Esta operação tem como objetivo fortalecer a sua estrutura de capital, otimizar o seu perfil de endividamento e ampliar a sua capacidade de execução de estratégia de crescimento.
O financiamento está estruturado em três tranches, com a uma a ser destinada ao refinanciamento de dívidas, outra para financiar novas aquisições e a outra para criar uma linha de crédito rotativo para atender às necessidades corporativas gerais.
A empresa também continua a apostar nas suas aquisições, tendo recentemente finalizado a sua terceira aquisição do ano, com uma participação de 51% na ANZEN Engineering, uma empresa de engenharia internacional especializa no setor aeroespacial e de defesa.
Esta operação reforça a posição da consultora na divisão de defesa, aeroespacial e segurança.