O investimento em hotéis em Portugal continua a subir e a atingir valores astronómicos, à boleia do crescimento do setor do turismo.
O investimento disparou mais de 80% no primeiro semestre em Portugal, atingindo os 512 milhões de euros em transações, segundo os dados da consultora imobiliária CBRE.
Se os números impressionam, há um detalhe a destacar: é que 85% do investimento diz respeito a hotéis de cinco estrelas e grande luxo, um valor em linha com o registado há um ano atrás, confirmando a continuação da aposta de hoteleiros do setor premium em Portugal.
Os valores incluem a compra de ativos já em operação, como a compra do hotel Penha Longa pela L Catterton, detida pelos donos da Louis Vuitton. O ativo estava avaliados em 140 milhões de euros que pertencia ao fundo Carlyle e à Marriott International.
O valor contrasta com Espanha, que apesar de ter um valor de investimento superior de 2.100 milhões de euros, o setor do luxo/cinco estrelas pesa apenas 32%.
A consultora sublinha que este "comportamento reflete uma tendência cada vez mais clara no mercado: os investidores apostam em ativos capazes de captar a crescente procura por experiências de gama alta e de gerar valor a longo prazo em destinos turísticos consolidados".
"A Península Ibérica reforçou o seu protagonismo no panorama hoteleiro europeu. De facto, o seu peso relativo dentro do mercado hoteleiro de investimento na Europa aumentou de forma significativa nos últimos anos, passando de 14% em 2020 para 19% em 2025, e atingindo os 21% no primeiro trimestre de 2026, o último dado disponível", segundo Duarte Morais Santos, responsável da CBRE Ibéria.
"O volume recorde alcançado no primeiro semestre e o crescente interesse pelos ativos premium refletem a solidez dos seus fundamentos e a confiança dos investidores no potencial de crescimento da região", acrescentou, apontando para um inquérito realizado junto de investidores "coloca Portugal e Espanha entre os destinos mais atrativos para o investimento hoteleiro na Europa”.
O que procuram os investidores? Os ativos urbanos representaram 48% do mercado, sendo Lisboa o principal foco, com o volume a atingir 200 milhões de euros, pesando 37% no total do país.
E se em Espanha, os investidores ibéricos pesam mais de metade das aquisições, em Portugal a quase totalidade da atividade foi liderada por compradores internacionais.
A CBRE destaca que na Península Ibérica, "atrás dos investidores ibéricos, destacaram-se os compradores procedentes de França, com cerca de 357 milhões de euros, e os do Reino Unido, com mais de 225 milhões de euros investidos, direcionando uma parte significativa deste capital para o mercado português".
Os investidores institucionais pesam 51% no mercado nacional, seguidos dos investidores privados com mais de 30% e das cadeias hoteleiras com 16%.
Portugal é o quarto destino mais atrativo da Europa para investir no setor hoteleiro, ex aqueo com França, com o ranking a ser liderado por Espanha, segundo o European Hotel Investor Intentions Survey 2026.
"A força da procura turística, o crescente interesse pelos ativos premium, a elevada liquidez existente no mercado e a atividade prevista para os próximos meses apontam para que 2026 possa fechar como um dos melhores exercícios para o investimento hoteleiro na Península Ibérica", prevê a CBRE.
O investimento hoteleiro na Península Ibérica atingiu os 2.600 milhões de no primeiro semestre, mais 27% face a 2025, sendo o volume mais elevado num primeiro semestre na série histórica.
"Os dados confirmam a forte atratividade de Portugal e Espanha para os investidores e consolidam a Península Ibérica como um dos principais focos de investimento hoteleiro na Europa. Em 2025, a região representou 19% do volume total na Europa, face aos 14% registados em 2020, posicionando-se como o segundo mercado mais ativo para o investimento hoteleiro, atrás apenas do Reino Unido", segundo a CBRE.
No total, foram transacionados 88 ativos hoteleiros nos dois países, face aos 74 de 2025, com mais de 10.100 quartos.