Skip to main content

Pequim e Washington tentam encontrar uma base comum

Economia, e questões políticas de fundo como Taiwan e o Irão, marcam uma viagem sucessivamente adiada, à procura do tempo certo. Que não é igual para Trump e Xi Jinping.

O comércio de bens entre a China e os Estados Unidos caiu em 2025. Os números apresentados por cada um dos países não coincidem – o quer dizer alguma coisa: a China indica um valor de 559,7 mil milhões de euros (menos 18,7%), ao mesmo tempo que os Estados Unidos avançam com 415 mil milhões (menos 29%). Ora, no que os números coincidem é no aumento das trocas de bens entre ambos em 2026, numa percentagem confortavelmente acima dos 10%. Conclusão: as duas maiores economias do mundo estão condenadas a entender-se, por muito que se detestem – e republicanos e democratas norte-americanos coincidem nesse ‘ódio’: as reservas do republicano Donald Trump face ao regime de Pequim são exatamente as mesmas que o seu antecessor, o democrata Joe Biden, exibia.
É neste contexto que os dois presidentes estão neste momento juntos: Donald Trump visita oficialmente a China, tendo sido agraciado com honras reservadas por Xi Jinping apenas aos amigos mais proeminentes. Mas a relação é desequilibrada: “Xi Jinping tem mais tem que Trump, que não pode chegar a julho ou agosto sem algo visível que possa acalmar a economia”, tanto a internacional como a caseira, refere o comentador de assuntos internacionais Francisco Seixas da Costa ao JE. Dito de outra forma: Trump tem pela frente eleições em novembro e Xi Jinping não terá eleições nenhumas em nenhuma altura da sua visa política – salvo as que se dão no universo muitíssimo restrito e controlado do bureau político do Partido Comunista da China.
A agenda económica é, por isso, de máxima importância. Mas, como ficou provado já este ano, os Estados Unidos estão numa situação desfavorável: a indústria chinesa é mais poderosa que a norte-americana, mas, principalmente, a China tem os minerais críticos (entre eles as terras raras) que os Estados Unidos não têm e que são vitais para as empresas norte-americanas, nomeadamente as tecnológicas e o setor automóvel. Quando Trump impôs tarifas às exportações chinesas para os Estados Unidos, a China respondeu com restrições às exportações destes minerais críticos. Resultado: as tarifas desapareceram como que por encantamento.
É neste contexto que se percebe que o peso da economia no ‘séquito’ que acompanha Trump à China é de peso. Na agenda está o aumento das vendas de produção norte-americana na área alimentar (soja e carne) e um mega-negócio envolvendo a Boeing (e talvez uma centena de aviões). A ‘armada’ das tecnológicas – Elon Musk e Jeff Besoz incluídos – também está presente, uma vez que os CEOs das maiores empresas (como a Google e a Apple) já perceberam que têm muito mais a perder que a ganhar com o confronto económico entre as duas potências.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico