A nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos concentra as atenções do país até agora ‘polícia do mundo’ na sua ‘zona de conforto’ – a América do centro e do sul e os mares circundantes de todo o continente – deixando de lado, nomeadamente, uma Europa em relação à qual dificilmente a administração de Donald Trump podia ser mais crítica. Nas poucas páginas que o texto da nova estratégia dedica à Europa, o ‘velho’ continente é tratado assim mesmo: como uma região envelhecida, descaraterizada por culpa própria e sem qualquer significado especial em termos geopolíticos. A parceria especial que alinhava Europa e Estados Unidos desde o fim da II Guerra passa a ser entendido pela Casa Branca como um mecanismo datado, ultrapassado e, nesse sentido, sem qualquer préstimo para os norte-americanos, que assim entregam os papéis do divórcio de forma unilateral e sem direito de resposta.
Foi por isso com o maior espanto que os analistas receberam a resposta da alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, que, comentando as opções estratégicas dos Estados Unidos, disse que os EUA continuam a ser “os maiores aliados” da União Europeia: “os Estados Unidos continuam a ser o nosso maior aliado. Nem sempre concordamos em todas as questões, mas o princípio geral permanece o mesmo. Somos os principais aliados e devemos permanecer unidos”, disse, como se, afirmam os críticos, não tivesse lido o que os “nossos maiores aliados” disseram sobre a Europa, ou, tendo lido, tivesse preferido não entender o que leu – apesar de o texto ser absolutamente explícito.
Nova Estratégia de Segurança dos EUA: entre a surpresa e a incredulidade
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A União Europeia e a Europa no seu todo passam a ser um elemento sem significado para os Estados Unidos. Nova estratégia coloca em causa os pressupostos de base da NATO. A Rússia aplaude, a China nem por isso.