O Nobel da Economia de 2026 foi atribuído a Robert E. Hall e Michael Woodford pelo seu trabalho no campo da estabilização monetária, onde lançaram as bases para os modelos teóricos utilizados atualmente pelos bancos centrais das economias mais avançadas. Foi uma decisão “completamente incontroversa”, destaca o economista Pedro Brinca, e que premeia a pesquisa sobre como os fundamentos micro influenciam a política macro.
No comunicado de imprensa que informou da nomeação dos dois economistas norte-americanos, a Academia sueca explicou que os laureados “desenvolveram novos modelos macroeconómicos que melhoraram significativamente a nossa capacidade de implementar políticas de estabilização eficientes”. Resumidamente, o prémio distinguiu o contributo para o desenho de “fundamentos microeconómicos de estabilização macroeconómica”.
A pesquisa dos dois professores universitários ganha importância no mundo pós 1970, em que sucessivos choques externos, sobretudo o do petróleo, fizeram com que “as relações estatísticas derivadas das contas nacionais entre as variáveis, que tinham sido relativamente estáveis desde o pós-guerra, deixassem de o ser”, começa por explicar Pedro Brinca. Era o fim do paradigma dominante de análise macro dominante até então, ainda assente nos princípios definidos pelo economista John Maynard Keynes há quase um século.
Assim, “o grande contributo das fundamentações microeconómicas é que passa a haver um racional para como a economia reage a choques, enquanto na economia keynesiana era postulado; […] isto, em termos de definição de políticas, tem um poder muito maior”, porque permite desenhar respostas mais direcionadas, continua.
Ou seja, as expectativas quanto ao futuro passam a ter um papel relevante na definição destas políticas, algo que não acontecia nos modelos keynesianos. E “o consumo é dois terços da economia”, relembra Pedro Brinca.
Esta dinâmica ficou visível em 2022, aquando da primeira onda inflacionista pós-Covid: “houve uma grande discussão sobre se os bancos centrais deviam subir taxas de juro, mas ninguém pôs em causa a abordagem conceptual de análise”.
“O que diferia era em que medida a inflação era choque de oferta e quanto era ajuda excessiva à economia. E, consoante a resposta a esta pergunta, o modelo tinha respostas diferentes em termos de condução de política”, ilustra o professor universitário. “Isso era algo que no modelo keynesiano não havia.”
Nobel “incontroverso” premeia pesquisa de fundamentos micro na estabilização macro
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Laureados deste ano lançaram as bases para novos modelos de análise no mundo pós anos 70, em que os princípios keynesianos deixaram de explicar o que se observava.