Armindo Monteiro, presidente da CIP, considera que o OE2027 está “órfão do PRR”, devido à queda abrupta de 31% do investimento público previsto para o próximo ano. “Estou preocupado com o investimento”, afirma ao Jornal Económico.
O responsável desconfia das projeções para o investimento privado, que o ministro das Finanças acredita poder contrabalançar o fim do PRR. No total, o investimento do país deverá subir 2% em 2027, segundo as contas do Governo. “Qual a razão?”, questiona o líder da CIP, considerando a previsão “otimista”.
Armindo Monteiro gostaria que este orçamento tivesse “medidas que incentivassem o investimento”, seja nacional ou estrangeiro, para “modernizar as empresas”. Caso contrário, afirma, o país ficará entregue à “baixa produtividade”.
O responsável defende ainda que o OE2027 “não lança bases para o crescimento” do país. “Precisaríamos de mais ambição para o crescimento económico”, atira. “Não podemos estar satisfeitos por estarmos melhor do que outros países que estão em situação difícil”.
O OE2027, considera também, fica aquém do desejável ao nível fiscal: “Continuamos a penalizar os rendimentos”, num país em que “os impostos continuam a ser muito elevados para os salários que se praticam”.
Armindo Monteiro insiste ainda que deve haver “incentivos ao reforço das pensões”, porque há “um desequilíbrio na solidariedade intergeracional”. Está em causa a “criação de um segundo pilar, sem colocar em causa o primeiro, para complementar as reformas”.
Apesar das críticas, o líder da CIP “vê 3 aspetos e meio positivos” no orçamento: considera saudável a preocupação com o equilíbrio das contas públicas, embora esteja a ser feita pelo lado da receita; diz ser “importante” a diminuição da dívida pública; e concorda com a descida do IRC, apesar de considerar que o executivo o esteja a fazer “de forma tímida”.
Mas há ainda “meia medida” positiva: a isenção de IRS e de contribuições para a Segurança Social dos prémios de produtividade e desempenho, porque este incentivo, que vai até 6% da retribuição base anual do trabalhador, tem “muitas amarras”, na opinião de Armindo Monteiro.
“Estou preocupado com o investimento”
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O presidente da CIP diz não acreditar nas projeções do Governo para o investimento privado e considera que o Orçamento do Estado “não lança bases para o crescimento” do país.