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Negócios mantêm quebra, mas há sinais positivos

Valor das transações aumentou no segundo trimestre, em cadeia. Menos negócios, mas com montantes médios mais elevados. O pipeline de operações parece avançar, mesmo com a incerteza.

O mercado português de negócios, que junta fusões e aquisições (M&A, na sigla inglesa), private equity (capital privado), capital de risco (venture capital) e a aquisição de ativos, fechou o primeiro semestre de 2026 em queda. O número de operações recuou 38,49%, para 195, e o capital alocado desceu 49,04%, para 2.336 milhões de euros.
Mesmo assim, os dados do último relatório da TTR Data trazem dados positivos. No segundo trimestre, comparado com os três meses anteriores, o número de operações caiu 40,1%, mas o valor das transações aumentou 25%, cristalizando o padrão que vinha de todo ano de 2025: menos operações, mas com valores médios mais elevados. Por causa do Novobanco, também.
Isto é compatível com o que os agentes do mercado de advisory têm manifestado, que o primeiro semestre deste ano está a ser melhor. Que o pipeline sempre identificado está mesmo lá. Faltará a concretização. São negócios em curso.
Nota de que das 195 operações identificadas apenas foi revelado o valor de 58, ou seja, 30% do total.


M&A valoriza
Nos primeiros seis meses, no segmento de M&A, o mais representativo, o número de transações caiu 11,1%, para 88, mas o valor cresceu 8,3%, para 1.033 milhões de euros, marcando o tom. Note-se que 76 operações estavam concluídas e somavam 263 milhões de euros, enquanto 12 operações identificadas como em curso representavam 770 milhões de euros, ou seja, quase três quartos do valor total.
No private equity, o capital alocado caiu 62,81%, para 340 milhões de euros, e o número de operações desceu 36,73%, para 31. Apenas duas operações tinham valor revelado, o equivalente a 6% do total.
O venture capital destacou-se em valor, mas não em volume. O número de operações caiu 44,12%, para 38, mas o capital alocado subiu 23,39%, para 436 milhões de euros. Ao contrário do private equity, 97% das operações estavam fechadas e 84% tinham valor revelado.
Na aquisição de ativos, o capital alocado caiu 73,09%, para 527 milhões de euros, e o número de operações recuou 45,83%, para 39.

Imobiliário soluça
O imobiliário continua a ser o setor com mais operações, mas perdeu tração. A TTR Data contabiliza 30 transações no primeiro semestre, menos 45% do que no mesmo período de 2025. No segundo trimestre foram 12 negócios. Na aquisição de ativos, o peso do real estate é evidente: 26 das 39 operações foram imobiliárias, apesar da queda de 30%.
Internet, software e serviços de tecnologias de informação somaram 28 operações, menos 30%. No turismo, hotelaria e lazer a quebra foi de 52%.
Serviços empresariais e profissionais, com 20 operações, duplicaram.
O capital estrangeiro mantém o interesse. Houve 59 aquisições, no valor de 392,44 milhões de euros, contra 68 operações domésticas e 52 aquisições feitas por empresas portuguesas no exterior. Espanha foi o principal comprador estrangeiro, com 15 operações, seguida do Reino Unido, com 10, dos Estados Unidos, com nove, de França, com oito, e da Alemanha, com seis.
O interesse norte-americano arrefeceu, registando-se a compra de nove empresas portuguesas, menos 62,5% do que um ano antes.
As aquisições estrangeiras em tecnologia e internet caíram 28,57%, para 15, e os investimentos de fundos estrangeiros de private equity e venture capital em empresas portuguesas recuaram 26,67%, para 11. Os mais procurados foram serviços empresariais e profissionais, tecnologia e internet, imobiliário, turismo e hotelaria, e software.
Nos rankings de advisory, o BTG Pactual lidera entre os assessores financeiros por valor, com 698,66 milhões de euros, seguido da Lazard, com 320 milhões.
Entre os assessores jurídicos, a Morais Leitão lidera por valor, também com 698,66 milhões, e a Cuatrecasas Portugal por número de operações, com 10.
No private equity, lideram Lazard e Abreu Advogados.
No venture capital, a PLMJ lidera em valor e a CCA em número de operações entre as sociedades de advogados.