O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) venceu as eleições legislativas de domingo passado, tendo garantido, com 18.622 votos, 24 dos 55 assentos da Assembleia Nacional. A Ação Democrática Independente (ADI), desta feita liderado pelo atual primeiro-ministro Américo Ramos, conseguiu menos 367 votos do que a oposição, portanto um mandato a menos.
Foi em 2002 que o histórico partido são-tomense conseguiu, pela última vez, ser a força política mais votada. Contudo, formou Governo em 2018, sob liderança de Jorge Bom Jesus, na sequência de um acordo pós-eleitoral com a coligação PCD-UDD-MDFM que prevaleceu sobre a maioria simples conquistada pela ADI de Patrice Trovoada.
Hoje, sem que haja maioria parlamentar, o Presidente da República, Carlos Vila Nova, faz contas às possibilidades de uma governação que seja “a emanação da sustentabilidade parlamentar”, frisou em entrevista à “RFI” no rescaldo das eleições. Antes de qualquer comunicação, e enquanto os partidos mais votados negoceiam alinhamentos e estratégias nos bastidores, oTribunalConstitucional (TC) deverá, como habitual, pronunciar-se sobre os resultados, o que se espera que aconteça no início da próxima semana.
O líder do MLSTP, Américo Barros, admitiu, durante a campanha, um cenário de coligação pós-eleitoral. No dia das eleições, prometeu formar um Executivo com elementos de fora do partido em caso de vitória.
De acordo com a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), o partido ADI garantiu 18.061 votos (23 mandatos), a coligação Movimento de Cidadãos Independentes - Partido Socialista (MCI-PS/PUN), um importante aliado parlamentar do ADI de Patrice Trovoada e liderada por Domingos “Nino” Monteiro, conquistou 4.142 votos (seis mandatos), e o Movimento Basta, cujo líder Levy Nazaré apresentou, entretanto, a sua demissão, alcançou 4.639 votos, mantendo os dois deputados na Assembleia.
Permanecem fora do Parlamento o Partido de Convergência Democrática (PCD), que nas últimas legislativas se apresentou à corrida integrado no Basta, o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra, que tinha Abnildo d’Oliveira, presidente da AN e dissidente do ADI como cabeça de lista.
27 de setembro foi, também, dia de eleições regionais e autárquias. O partido União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), que governa a região há dois décadas, voltou a vencer as eleições com Filipe Nascimento a conquistar uma maioria absoluta de seis mandatos.
Olhando para os números da abstenção nas legislativas, registou-se uma taxa recorde de 62,92%.
MLSTP vence legislativas mais de 20 anos depois, mas sem maioria
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Vila Nova prometeu “coesão nacional” quando foi reeleito. Agora, prepara-se para ouvir os partidos antes de nomear novo Governo, depois de uma eleição renhida.