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Lusofonia reforça afirmação económica em Nova Iorque

Num dos principais centros financeiros do mundo, a lusofonia apresentou-se com uma mensagem clara: o tempo do potencial deu lugar ao tempo da execução. Oportunidades de negócio, reformas e desenvolvimento em África marcaram a agenda de governantes, empresários e investidores mundiais.

À margem da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, Nova Iorque acolheu a primeira edição do Forbes Africa Day, uma iniciativa da Forbes África Lusófona, em parceria com a Forbes Africa e a Forbes Afrique, que reuniu governantes, empresários e investidores internacionais para discutir o papel crescente de África na economia global.
Mais do que um fórum sobre investimento, o encontro refletiu a crescente capacidade da lusofonia africana para se posicionar junto dos principais centros mundiais de capital e decisão.
“Durante décadas, falou-se do potencial africano. Hoje, a questão já não é saber se África tem recursos, talento ou oportunidades. A verdadeira questão é o que estamos dispostos a fazer com essas oportunidades”, palavras de N’Gunu Tiny, chairman da Emerald Group e fundador da Forbes África Lusófona, que defendeu uma mudança na forma como o continente é percecionado pelos mercados internacionais. “África não precisa que o mundo a descubra. Precisa que o mundo a reconheça como um parceiro estratégico na construção das soluções que irão definir o futuro global”, acrescenta.
A intervenção enquadrou um dos temas centrais do encontro: a necessidade de substituir a narrativa assente no potencial africano por uma abordagem focada na capacidade do continente para gerar investimento, crescimento e valor económico. O desafio passa agora por transformar recursos, talento e dinamismo empresarial em resultados concretos e em parcerias duradouras entre África e os mercados internacionais.
Um dos momentos centraisfoi a entrevista do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, conduzida por Christopher Forbes. O chefe de Estado apresentou as reformas em curso para melhorar o ambiente de negócios e atrair capital para sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.
Daniel Chapo destacou o compromisso do seu Governo com a estabilidade económica, a simplificação administrativa e a criação de um ambiente mais favorável ao investimento privado.
“Moçambique está aberto ao investimento e às parcerias que contribuam para acelerar o crescimento económico e criar oportunidades para a nossa população”, apontou.
Salientou igualmente o potencial dos setores da energia, agricultura, turismo, infraestruturas e recursos minerais, defendendo que o país reúne condições únicas para se afirmar como uma plataforma de investimento na África Austral. “Estamos a implementar reformas para tornar Moçambique cada vez mais competitivo, previsível e atrativo para os investidores internacionais”, disse.
A participação de Daniel Chapo surgiu num momento em que Moçambique procura reforçar o seu posicionamento económico internacional, beneficiando de grandes projetos energéticos, de uma localização geoestratégica relevante e de uma crescente integração regional.
Também Angola marcou presença através do Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, cuja intervenção centrou-se nos avanços das reformas económicas e na estratégia de diversificação da economia angolana, procurando demonstrar aos investidores internacionais que o crescimento futuro do país dependerá cada vez mais de sectores não petrolíferos. “As oportunidades em Angola vão muito além do petróleo”, enfatizou, destacando os progressos alcançados na estabilização macroeconómica, na melhoria do ambiente de negócios e na criação de condições para atrair investimento privado para sectores estratégicos.
Agricultura, indústria transformadora, logística e turismo foram identificados como áreas prioritárias para reforçar a competitividade da economia angolana. “O turismo tem capacidade para dinamizar diferentes áreas da economia, promover o investimento privado, criar emprego e valorizar os recursos naturais, culturais e históricos de Angola”, destacou o governante, enfatizando a importância da marca Visit Angola e o impacto da participação do país na ITB Berlin 2026, onde Angola assumiu o estatuto de País Anfitrião, reforçando a sua visibilidade junto dos mercados internacionais. “Queremos posicionar Angola como um destino turístico, de investimento e de negócios, capaz de competir à escala internacional”, rematou.
As intervenções dos responsáveis moçambicanos e angolanos evidenciaram um denominador comum: a aposta em reformas destinadas a aumentar a competitividade das economias, acelerar a diversificação produtiva e atrair investimento privado para setores considerados essenciais ao crescimento.
O Forbes Africa Day integrou ainda um debate dedicado ao investimento no continente africano, com as visões de Manuel Mota, Abdul Kamara, C. Derek Campbell e Kola Karim a centraram-se na necessidade de acelerar a aposta em infraestruturas, promover a industrialização, expandir a transformação digital e reforçar a integração económica regional, fatores decisivos para aumentar a competitividade africana numa economia global cada vez mais exigente.
No final, foi atribuído o prémio Forbes Best of Africa ao angolano Edson dos Santos, presidente e CEO da ETU Energias. A distinção reconheceu o percurso empresarial do gestor angolano e o papel desempenhado no desenvolvimento do sector energético africano.
Com este encontro, tornou-se evidente que a lusofonia africana procura assumir um papel cada vez mais relevante nestas transformações. Angola e Moçambique apresentaram-se não apenas como mercados com potencial, mas como economias empenhadas em reforçar a sua ligação ao investimento internacional através de reformas estruturais e de uma maior integração nas cadeias globais de valor.

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