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Mercado da segurança cresce acima da economia, mas ainda tem potencial para mais

Securitas fechou o ano com uma faturação perto dos 145 milhões de euros. “Andamos numa trajetória positiva”, diz Frederico Paiva, CEO da empresa.

O mercado de segurança privada em Portugal cresceu 8,5% no ano passado, face a 2024, a um ritmo que quase duplica o crescimento nominal da economia, para cerca de 1,2 mil milhões de euros. Mas não está esgotado, pelo contrário. "Tem muito para crescer”, afirma Frederico Paiva, CEO da Securitas em Portugal.

“Vivemos tempos conturbados do ponto de vista de segurança. Existe uma preocupação por parte de consumidores e empresas em garantir a segurança das suas operações”, justifica Frederico Paiva, em entrevista ao Jornal Económico, acrescentando que o crescimento desta necessidade é acompanhado por uma “evolução do conceito de segurança”.

“Nós hoje olhamos não só para a segurança de pessoas, olhamos para a segurança de instalações e de ativos. E cada vez mais, a segurança é uma componente crítica para a manutenção das operações dos nossos clientes, para o aumento da eficiência das operações dos nossos clientes, para a minimização de erros de custo”, diz.

O foco da empresa é no desenvolvimento de soluções de segurança à medida, o que implica “conhecer a fundo a operação dos nossos clientes para conseguirmos não só minimizar os riscos, mas também introduzir otimizações na operação que levem a um aumento de produtividade e ganhos de escala”, refere.

A empresa trabalha, fundamentalmente, a área de corporate, empresas, optando por atuar nas outras verticais de negócio, como no setor residencial, com parcerias, como é o caso da Verisure (antiga Securitas Direct) e Nos Securitas. Contudo, a empresa é procurada por clientes na área residencial, que apresentam outro tipo de exigências e "o qual um alarme residencial mais simples não satisfaz".

Muitas vezes a empresa acompanha as obras de infraestrutura dos seus clientes, de forma a criarem algumas soluções de segurança, que são pensadas desde a base do projeto.

A marca Securitas, de origem sueca, conta com mais de 90 anos de experiência neste setor na sua casa mãe, tendo Portugal sido uma das primeiras operações a nível mundial, perto de celebrar 60 anos.

O balanço de quase 60 anos de existência é “positivo” com “muitas etapas”. Foi preciso iniciar o setor, sendo necessário “explicar os benefícios que este serviço traz”. Depois foi preciso adaptar o serviço ao avanço tecnológico. “A tecnologia veio permitir, numa primeira fase, dar mais amplitude às próprias funções do vigilante”.

O ano que terminou também foi positivo para a empresa, que terminou com uma faturação perto dos 145 milhões de euros. “Andamos numa trajetória positiva”, salienta o CEO, destacando que a componente tecnológica tem vindo a ganhar peso. Apesar de ainda terem uma operação humana “significativa”, Frederico Paiva declara que “onde estamos a alargar é a acelerar o nosso desenvolvimento na componente tecnológica”.

“O que vemos é muita solução combinada, que tem uma componente humana e que tem uma componente tecnológica muito associada a câmara e sensores”, explica, “a nossa área de monitorização remota é cada vez mais importante, mais crítica e de maior dimensão”.

Considerando 2025 como um bom ano, a empresa olha para 2026 como “um ano extremamente importante para consolidar a viragem estratégica que está a ser feita, acelerando a sua transformação tecnológica”, refere.

A empresa espera continuar a liderar as soluções de segurança no nosso país, vai continuar a reforçar as equipas de engenharia e as equipas de desenho de solução e criar a “primeira escola de soluções de segurança em Portugal”.

“Estamos apostados em criar e desenvolver essa competência e isso implica estarmos ligados também ao mundo académico, universidades”, sublinha. Para este projeto, Frederico Paiva declara que a empresa está focada em atrair os “melhores profissionais”, contudo isso vai ser um desafio, uma vez que existe “uma guerra por talento”.

Durante a WebSummit de 2025 a empresa anunciou uma parceria com a Procimo, que tem uma “solução de segurança para ambiente industrial para chão de fábrica”. Esta é uma parceria que vai ser explorada durante este ano.

A inteligência artificial (IA) também está presente neste setor, sendo já notável o “nível de eventos que se conseguem tratar com o agente físico aliado a plataformas tecnológicas”.

“Aquilo que vimos é que cada vez mais os nossos serviços têm uma componente tecnológica, e são suportados por com o nosso software, a nossa central de monitorização em tempo real e isso, obviamente oferece uma panóplia de novos serviços, uma panóplia de soluções para os nossos clientes que são altamente valorizadas e portanto, permite aos nossos clientes terem acesso e informação e a segurança em tempo real em grande escala”, afirmou.