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Mau tempo em Marrocos afunda produção da Autoeuropa

Fecho de porto marroquino devido às tempestades teve consequências negativas na produção da Autoeuropa em janeiro.

Além de Portugal, o mau tempo no início de 2026 afetou também outros países na região, incluindo Espanha e Marrocos.

As diversas tempestades provocaram o encerramento do porto de Tanger, em Marrocos, durante dois dias, por onde fornecedores de componentes marroquinos escoam a sua produção para a Europa, incluindo Portugal e a Autoeuropa.

Estes componentes chegam à fábrica portuguesa da Volkwagen de camião. Saem da fábrica em Marrocos, entram no ferry no porto de Tanger, atravessam o estreito de Gibraltar e saem no porto espanhol de Algeciras. Fazem depois por estrada mais de 600km até Palmela.

Como consequência do mau tempo, a Autoeuropa registou uma quebra de 13% na produção em janeiro face a período homólogo para um total de mais de 13,3 mil unidades.

Os componentes vindos de Marrocos são para equipar os bancos do Volkswagen T-Roc. Sem estes, é impossível concluir o fabrico dos modelos.

"Estão a chegar agora" os componentes, disse fonte oficial da Autoeuropa ao JE. A fábrica vai agora acelerar para "fazer a recuperação" da produção.

Em Palmela, já só se fabrica a nova versão do T-Roc, tendo a produção da versão anterior já ficado para trás.

Em consequência, a produção automóvel total em Portugal caiu 8% em janeiro face a período homólogo para um total de 21.746 unidades.

Por segmentos, a produção de ligeiros de passageiros recuou 11% para 15.650 mil unidades, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) divulgados na segunda-feira.

Já a produção de veículos pesados afundou 52% para 190 unidades, com a produção de ligeiros de mercadorias a subir 5% para mais de 5.900 unidades.

A Europa continua a ser o principal destino das exportações nacionais: 88% da produção total. Mas 96% da produção total destina-se ao exterior, "o que contribui de forma positiva para o saldo da balança comercial portuguesa".

Destaque para a Alemanha (20%), França (17%), Itália (16%) e Espanha (10%) a liderar o ranking.

Já o mercado americano fica na segunda posição (com o Chile a registar uma quota total de 5%), com África na terceira posição por regiões.

A segunda maior fábrica nacional, a Stellantis Mangualde, registou um crescimento de 2,5% em janeiro para quase 7.500 unidades.

A Toyota Caetano registou uma queda de 1,2% para 257 unidades, com a Mitsubishi Fuso Truck Europe no Tramagal a recuar 7% para 670 unidades.

Stellantis Mangualde com recorde, Autoeuropa e Portugal com segundo melhor ano

Olhando para o ano passado, a Autoeuropa atingiu o seu segundo melhor ano de sempre em 2025. A produção subiu 2% no ano passado face a período homólogo para um total de 240.400 unidades produzidas.

Esta marca supera a atingida em 2024 (236.100 unidades) permitindo a entrada direta na segunda posição do pódio. Mas fica longe da melhor marca de sempre, atingida no ano de 2019, quando foram produzidas 254.600 unidades em Palmela.

Mais a norte, a Stellantis Mangualde atingiu mesmo o seu melhor ano de sempre, com 91.662 unidades produzidas, mais 7% face a 2024, ano do anterior máximo.

A fábrica do distrito de Viseu arrancou em 2024 com a produção de viaturas 100% elétricas, tendo obrigado a uma modernização da unidade industrial, incluindo uma nova linha de montagem para produzir as versões de passageiros e comerciais ligeiros: Citroën ë-Berlingo e ë-Berlingo Van, Fiat e-Doblò, Opel Combo Electric e Peugeot E-Partner e E-Rifter.

Estas são as duas maiores fábricas automóvel em Portugal: a Volkswagen pesa mais de 70% na produção total, com a Stellantis a pesar 27%, segundo os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

A produção automóvel em Portugal subiu 3% em 2025 para 341.361 unidades, sendo o segundo melhor ano de sempre do país, batendo o anterior máximo: 332.546 unidades em 2024. Acima, só mesmo o ano de 2019, quando foram produzidos 345.688 unidades.

Da sua produção total, a Autoeuropa enviou 89% das suas unidades para exportação, com a Alemanha a ser o seu maior mercado: mais de 61 mil unidades (26% do total), seguida de Itália com 11% (mais de 26 mil unidades) e França e Espanha a pesarem 7% cada um. A UE pesou 70% nas exportações da fábrica da Volkswagen e o total da Europa a pesar 92%.

Pela Stellantis Mangualde, França é o seu mnaior mercado de exportação com 21%, seguindo-se Espanha com 17% e Itália com 14%. O mercado da UE pesa 67%, com o total da Europa a valer 84%.

Por segmentos, a produção de ligeiros de passageiros subiu mais de 3% para 269.469 viaturas, com a produção de ligeiros de mercadorias a valorizar 0,2% para 68.809 unidades e com o fabrica de veículos pesados a ganhar mais de 5% para 3.084 automóveis.

A ACAP destaca que a produção representa 129% do número de viaturas vendidas no país, isto é, produzem-se mais veículos em Portugal do que se vende.

Da produção total, 98% destinou-se às exportações, "o que contribui de forma positiva para o saldo da balança comercial portuguesa".

A Europa continua a ser o principal mercado líder nas exportações, pesando 88%: Alemanha (19%), Itália (12%), Turquia (11%), França (11%) e Espanha (10%) a liderarem.

Depois da Europa, segue-se África (4%), com Marrocos a liderar (2%), e as Américas (3%).

Apesar dos bons resultados anuais, o mês de dezembro registou uma quebra de 17% na produção total para 21.079 unidades, sendo de destacar a quebra nos ligeiros de passageiros (-19%) e nos ligeiros de mercadorias (-8%), com os veículos pesados a subir 23%.