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Médio Oriente : Ataque ao Irão leva a movimentações militares inéditas na Europa

Ação militar dos EUA-Israel contra a teocracia iraniana levou a guerra a 12 países. Quatro países europeus movimentaram tropas para o Chipre e Emmanuel Macron anunciou uma nova visão sobre as ‘suas’ armas nucleares - tendo dito que oito países europeus estão interessados na sua proposta.

mirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait, Israel, Omã, Jordânia, Arábia Saudita, Iraque e Chipre, a que se somaram a Turquia na quarta-feira e o Azerbaijão na quinta. Perante o alargamento da geografia dos ataques de retaliação do Irão face à agressão militar de Estados Unidos e de Israel e ao facto de a retaliação à retaliação também envolver o Líbano, o alargamento do conflito para fora das fronteiras regionais já não é um temor, mas uma realidade. A resposta a esse alargamento vai no mesmo sentido: além das tropas e do armamento militar norte-americano e israelita, estão já no terreno – mesmo que seja num terreno distante – vários outros países. Europeus.
De facto, diversos governos europeus anunciaram o envio de navios para o Mediterrâneo Oriental depois de um ataque com drones a uma base britânica no Chipre. Num primeiro momento, a viagem para Chipre surgiu na sequência dos compromissos militares da Grécia e da França em reforçar as defesas aéreas da ilha. A Grécia enviou duas fragatas e quatro caças F-16, enquanto a França enviou uma fragata equipada com sistemas antimísseis e antidrones. Veio entretanto a saber-se que há a possibilidade de o míssil disparado para Chipre não ter origem no Irão –, mas o certo é que a força militar já está ao largo da ilha.
Entretanto, a Espanha anunciou que enviará o seu navio de guerra mais avançado, a fragata Cristóbal Colón, para o Mediterrâneo Oriental para se juntar às forças francesas e gregas. É uma reviravolta inesperada, depois de o governo de Madrid ter impedido os Estados Unidos de usar bases instaladas no seu território para atacar o Irão – a que não será alheio o facto de o presidente Donald Trump ter mandado suspender todo o comércio bilateral. São 16,7 mil milhões de euros (4,8% do total das exportações espanholas), a que Pedro Sánchez teve de ‘ajoelhar-se’ para não se haver com uma fúria – não muito épica, mas ainda assim uma fúria – da Casa Branca.
A fragata espanhola, que realizava treinos com o porta-aviões francês Charles de Gaulle, também destacado para o Mediterrâneo Oriental, no Mar Báltico, deverá chegar às águas de Creta na próxima semana.
Do seu lado, o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, disse ao parlamento que o seu país seguiria os passos da França e Espanha no envio de recursos navais para ajudar o Chipre, admitindo que “dentro da União Europeia fazia sentido enviar uma mensagem de apoio”.
O presidente cipriota, Nikos Christodoulides, confirmou a participação da Itália, agradecendo à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a disponibilidade.
Os Países Baixos também decidiram enviar uma fragata, que estava igualmente integrada no grupo do porta-aviões francês, para o Mediterrâneo Oriental.
Do mesmo modo, o Reino Unido anunciou que enviará um navio destroyer e dois helicópteros armados com mísseis para reforçar a defesa contra drones. O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, está no Chipre para se reunir com o seu homólogo, Vassilis Palmas, para discutir outras formas de o Reino Unido ser útil no reforço das defesas aéreas.

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