O desporto como aliado do turismo. Essa é a aposta da Arábia Saudita para os próximos anos. No final do ano passado, o país inaugurou um hub dedicado ao entretenimento, desporto e cultura, um dos investimentos mais significativos enquadrados na Visão 2030, projeto de muitos biliões de dólares em que um dos pilares mais importantes passa pela atração de turistas, no sentido de diversificar a economia do reino saudita, deixando para trás o legado em que o petróleo continua a ser rei e senhor. O objetivo mantém-se: atrair 150 milhões de turistas por ano até 2030 e que um terço desses turistas venham de fora da região do Médio Oriente. Mais: espera-se que esse investimento contribua, em plena operação, com 31 mil milhões para o PIB da Arábia Saudita, fazendo com que este seja um dos projetos económicos mais relevantes da região. Mas por muitos biliões que os sauditas coloquem no projeto do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, nenhum plano resiste à guerra que eclodiu no final de fevereiro e que ameaça a estabilidade numa região com um enorme potencial de conflito.
A curto prazo, porém, o cenário não é favorável para aquilo que o país tem vindo a construir nos últimos anos e em que um dos marcos mais significativos foi a contratação de Cristiano Ronaldo como cabeça de cartaz da Saudi Pro League. Os Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, que estavam marcados para o próximo mês, foram cancelados e, mais do que um buraco no calendário, este retrocesso é um choque imediato para os detentores de direitos televisivos da prova e para toda uma caravana de equipas e patrocinadores. As perdas cifram-se em dezenas de milhões de dólares: 60 milhões por corrida. Mas as más notícias não ficaram por aqui: há poucos dias, a UEFA cancelou a “finalíssima”, a partida de futebol que iria opor os campeões da Europa (Espanha) e da América Latina (Argentina), num jogo a disputar no Qatar.
Redefinição de prioridades
Rui Lança, diretor desportivo do Al-Ittihad, realça ao JE que “quem vive na Arábia Saudita sente um misto de estabilidade e de expectativa” e sublinha que “se houver ataques a zonas civis”, os responsáveis da Saudi Pro League vão ter que tomar outro tipo de medidas. Com a economia saudita muito dependente do petróleo, este dirigente português acredita que o impacto económico e financeiro vai ser uma realidade que poderá determinar contenção no investimento e até redefinição de prioridades. “Se o conflito se mantiver, haverá impacto não tanto na falta de recursos financeiros mas na otimização, porque existindo menos terá que haver redefinição de prioridades”, realça ao JE.
Meca do desporto virou pesadelo para a Arábia Saudita
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Desporto : Biliões de investimento podem estar comprometidos à conta da guerra no Irão. O cancelamento de eventos tem provocado desconfiança, mas este pode ser apenas o começo da derrocada.