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Donald Trump quer sair do Irão rapidamente e em força

Guerra : Acossado pelo descontrolo do fornecimento de combustíveis fósseis e pela falta de apoio internacional e da opinião interna, o presidente dos EUA quer acabar com a guerra. Mas abre as portas a intervenções punitivas esporádicas.

No meio de declarações que se contradizem entre si, o presidente dos EUA, Donald Trump, diz querer – é essa, nesta altura, a sua mais recente proposta – acabar rapidamente com a guerra contra o Irão, deixando em aberto a opção de ali regressar preventivamente para “ataques pontuais”, se necessários. Sem explicar em pormenor de onde virá essa necessidade, fica a supor-se que estes “ataques pontuais” sucederão se o Irão regressar à tentação nuclear, se o Estreito de Ormuz continuar fechado ao trânsito de navios petroleiros, se o regime de Teerão voltar a armar-se com mísseis balísticos e/ou se Israel solicitar nova investida (ou começar uma, como sucedeu a 28 de fevereiro passado e a 13 de junho de 2025. Usando uma retórica que lhe é habitual, Trump não quis ser claro sobre quando entende fazer regressar aos tropas a casa: “não posso dizer exatamente... vamos sair daquilo muito em breve.” E repetiu: “eles não terão uma arma nuclear porque são incapazes disso agora, e então eu irei embora, e levarei todos comigo, e se for preciso, voltaremos para realizar ataques pontuais.”
O presidente dos EUA insiste que o Irão solicitou um cessar-fogo, mas que o pedido não seria considerado até que Teerão desbloqueasse o Estreito de Ormuz. Mais uma vez, o Irão negou qualquer pedido nesse sentido. Só para complicar ainda mais o desentendimento entre os envolvidos, fontes paquistanesas citadas pela agência Reuters disseram que Islamabad havia proposto um cessar-fogo temporário a ambos os lados, mas não recebeu resposta de nenhuma das partes.
A última vez que Trump disse que estava interessado em acabar com a guerra sinalizou que isso poderia acontecer em duas ou três semanas, mesmo sem um acordo, mas desta vez preferiu não avançar com horizontes temporais.
Entretanto, pelo menos 66% dos norte-americanos acreditam que os EUA devem encerrar rapidamente o seu envolvimento na guerra com o Irão, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pela administração Trump, segundo a sondagem Reuters/Ipsos que vai acompanhando a evolução da guerra. Apenas 27% dos inquiridos disseram que o país deveria alcançar todos os seus objetivos no Irão, mesmo que o conflito se prolongue por um longo período. Entre os republicanos, 40% apoiaram o fim rápido do conflito, enquanto 57% apoiaram um envolvimento mais longo. Um total de 60% dos entrevistados disse desaprovar os ataques militares dos contra o Irão, enquanto 35% aprovaram.
Um dos efeitos mais visíveis da guerra tem sido o aumento do preço da gasolina, que ultrapassou os quatro dólares por galão (3,8 litros, ou seja, um pouco mais de um dólar por litro) na passada segunda-feira pela primeira vez em mais de três anos.

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