A DSTelecom está à venda. O Cube Infrastructure Managers que, através do Cube Infrastructure Fund II, é desde 2018 dono de 54% do maior operador grossista de telecomunicações em Portugal, quer vender a sua participação na empresa.
Para isso tem estado a contactar potenciais investidores. O processo tem sido conduzido de forma restrita e o objetivo é receber em breve as propostas não vinculativas, de modo a que consiga escolher um comprador antes das férias de Verão.
O maior operador grossista de telecomunicações líder em Portugal, focado na construção e gestão de redes de fibra ótica de “acesso aberto” (FTTH), especialmente em zonas com menor densidade populacional, está assim em vias de mudar de mãos. No entanto não é ainda claro se a venda será só da participação do fundo luxemburguês ou se abrangerá também os 46% do grupo bracarense, liderado pela família Gonçalves Teixeira (o DST Group). Mas o facto de haver ainda muita atividade de construção no horizonte pode ser um pretexto para a DST Group se manter no capital da empresa de telecomunicações. segundo as nossas fontes.
O valor do negócio não é conhecido.
Contactada a DSTelecom não quis fazer comentários.
Fundada em 2008, a DSTelecom opera como um “operador de operadores” (modelo grossista neutro), o que significa que não vende serviços diretamente ao consumidor final, mas aluga a sua rede a operadoras como MEO, NOS e Vodafone. Oferece assim infraestrutura a outros operadores para que estes levem serviços ao cliente final.
A DSTelecom gere uma rede que já cobre um milhão de casas em 153 municípios e 157 parques industriais.
Com os principais operadores de retalho a bordo, a DSTelecom constrói e opera a maior e mais fiável rede de fibra gigabit em territórios com maior carência digital, revela a empresa no seu site.
A sua atividade foca-se assim sobretudo no reforço da cobertura digital em regiões de baixa densidade populacional e zonas rurais, onde a infraestrutura de última geração era anteriormente inexistente ou reduzida.
Entretanto foi noticiado que a DSTelecom está a replicar o sucesso do modelo multioperador da fibra no mundo móvel. Faz parcerias com os mesmos operadores de retalho para partilhar infraestruturas móveis, aproveitando ao máximo a fibra já existente. Isso ajuda a combater as assimetrias digitais em Portugal (interior versus litoral/cidades), torna o 5G mais acessível em zonas rurais e permite que a empresa cresça para novos segmentos (móvel, e até cabos submarinos e satélite).
É uma visão estratégica ambiciosa a de se transformar num operador grossista “multi-tecnologia” (fibra + móvel + outros), sempre com foco em zonas menos rentáveis para os grandes players.
Numa entrevista ao Negócios em 2024, Ricardo Salgado, CEO do braço de telecomunicações do grupo DST, revelou “o compromisso da empresa em expandir a oferta de serviços em infraestruturas de conectividade sem fios, abertas e neutras, tanto por terra, ar e mar, quanto por espaço, garantindo conectividade universal”.
A empresa tem modernizado infraestruturas e investido em energia solar para tornar a rede mais eficiente e sustentável. A empresa planeia continuar a expansão fotovoltaica em PoPs (pontos de presença), visando mais municípios equipados em 2026 para uma rede mais verde.
Os últimos dados da DSTelecom são de 2024 e nessa altura o volume de negócios consolidado era de 54,7milhões de euros (um crescimento de cerca de 12,1% face a 2023).
Por sua vez, os níveis de rentabilidade atingiram valores muito robustos, com o EBITDA consolidado a alcançar 35,8 milhões, o que equivale a uma margem EBITDA de aproximadamente 65,4%.
O fundo Cube, gerido pela Cube Infrastructure Managers, é especializado em infraestruturas na Europa e em 2018 entrou o capital da DSTelecom para acelerar o desenvolvimento da rede de fibra ótica (FTTH) no país, permitindo um controlo conjunto com o grupo DST. A empresa cresceu significativamente com o apoio do fundo de private equity que entrou através de uma combinação de aumento de capital e compra de ações.
Maior operador grossista de telecom está à venda
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O Cube Infrastructure Fund quer vender os 54% que tem na DSTelecom e começou a contactar potenciais investidores. O objetivo é fechar um acordo até ao verão.