Um défice no pagamento de jogadores que triplicou, um passivo que aumentou consideravelmente e dois colombianos que entraram na história do futebol português por serem os mais caros de sempre na história de Benfica e Sporting. Os três grandes apresentaram recentemente as contas referentes ao primeiro semestre da atual temporada e há um sinal positivo a reter numa primeira leitura: o trio apresentou lucros, com a Benfica SAD a liderar os resultados positivos e o FC Porto um pouco mais comedido nesse resultado. Nesta leitura mais positiva, do lado do clube da Luz, foi reportado um lucro de 40,6 milhões de euros, com o capital próprio a subir para 156,8 milhões de euros, uma melhoria de 34,8% relativamente ao resultado atingido no final da época anterior. Com este resultado, a SAD liderada por Rui Costa atingiu o segundo valor mais elevado de sempre do capital próprio. Em Alvalade, o lucro do primeiro semestre da época foi de 32 milhões de euros com os leões a duplicarem o lucro obtido nos primeiros seis meses da época anterior. Para esse resultado, a SAD liderada por Frederico Varandas fez questão de destacar o impacto muito positivo das receitas operacionais (impulsionada pela disputa da Liga dos Campeões), mas também das transações de futebolistas (realce para a venda do passe de Viktor Gyökeres para o Arsenal). Na FC Porto SAD, o lucro foi substancialmente mais baixo: 1,9 milhões de euros. Apesar da empresa não contar com as receitas diretas da Liga dos Campeões (há duas épocas que os dragões não disputam a mais endinheirada prova da UEFA), a administração deu destaque à capacidade de equilíbrio financeiro e também à alienação de 30% da Porto Stadco à Ithaka. No entanto, todas as contas têm o seu lado sombrio e os exercícios da primeira metade da temporada não são exceção. No Dragão, Villas-Boas anunciou o maior investimento da história da SAD no início da temporada... e cumpriu: o FC Porto mais de 102 milhões empasses de futebolistas e ficou com um défice de quase 25 milhões. Mas as linhas vermelhas não ficam por aqui. A SAD azul e branca triplicou o défice com jogadores por pagar em apenas seis meses para 149 milhões de euros. Em sentido contrário, o FC Porto tem 12,7 milhões de euros a receber por atletas vendidos. Em Alvalade, os primeiros seis meses da temporada trouxeram um novo máximo histórico no passivo da SAD de Alvalade. Neste período o passivo do Grupo Sporting SAD aumentou de 380 para 592 milhões, um crescimento de 212 milhões justificado pela emissão de dívida e pelo investimento no plantel. Os leões criaram a Sporting Entertainment para atrair investimentos no Estádio José Alvalade e nesse sentido foi lançada uma emissão obrigacionista, com maturidade até 2054 e taxa fixa anual de 5,75%. O Sporting justifica este aumento do passivo com a emissão privada de obrigações junto de investidores institucionais internacionais e também com o investimento no plantel. A fechar, dois colombianos que chegaram a Lisboa no início desta temporada, para bater recordes. Richard Ríos obrigou a SAD do Benfica a um esforço financeiro na ordem dos 28,4 milhões de euros, algo que fez com que o médio ficasse com o título de futebolista mais caro de sempre na Luz. Do outro lado da Segunda Circular, Luis Suárez passou a ser o mais caro de sempre em Alvalade: custou 24,5 milhões.
Défice a triplicar e passivo recorde: o lado negro das contas
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Lucros nas três SAD transmitem saúde financeira, essencial para o equilíbrio das contas. Mas há linhas vermelhas que preocupam: de jogadores por pagar a passivos que disparam em flecha.