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Luxemburgo exige que a UE abra vias de diálogo com a Rússia

O vice-primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel, explicitou o que há muito dizem alguns analistas: a Europa só será relevante para a paz na Ucrânia se abrir uma via de diálogo com a Rússia.

Precisamos de conversar com a Rússia se quisermos uma solução” para a Ucrânia, disse o vice-primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel – exprimindo opinião rara entre os líderes europeus, mas há muito defendida por vários analistas. É o caso do o embaixador Francisco Seixas da Costa, que insiste que, para acabar com uma guerra, não há outra via senão dialogar com os agressores. Por uma qualquer razão que perturba os especialistas em diplomacia, os líderes europeus têm-se mantido indisponíveis para estabelecer vias de comunicação com Moscovo e com o presidente Vladimir Putin. Insistem, pelo contrário, em apenas alimentar o esforço de defesa da Ucrânia, assim atirada para a função de ser a primeira linha de defesa europeia contra a agressão russa. Mais ainda, os europeus demonstram ter fortes reservas face ao diálogo Estados Unidos-Rússia e mesmo perante as tímidas tentativas do presidente francês, Emmanuel Macron, de estabelecer um contacto formal com Moscovo.
“E se eu, como luxemburguês, for pequeno demais para isso, então o presidente Macron ou outra pessoa deveria ser capaz de representar a Europa, porque eles não querem falar com Kaja Kallas”, acrescentou em declarações à agência Euronews, referindo-se à chefe da diplomacia da União Europeia, que tem demonstrado uma enorme incapacidade para se ‘imiscuir’ no processo de negociações.
Para além de Macron, que há poucas semanas fez um contacto telefónico com Putin, também a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni sinalizou recentemente o desejo de que a Europa tenha um lugar à mesa das negociações para conduzir os esforços rumo a um acordo de paz na Ucrânia. Pioneiro nesta matéria, quando o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, presidia rotativamente à União Europeia (no segundo semestre de 2024), chegou a ir a Moscovo, o que motivou a ira de todos os seus pares.
“Quem representa a Europa? Vejo que Kaja Kallas não estava, por exemplo, em Washington quando houve discussões com o presidente Donald Trump. É função dela”, insistiu Bettel, acrescentando que a União precisa de um líder “eleito diretamente” e, por isso, com “legitimidade” – algo de que a Comissão se tem defendido com determinação. “Ou o presidente da Comissão ou o presidente do Conselho Europeu deve ser alguém que tenha legitimidade também por parte dos eleitores”, disse, “para que tenhamos um presidente da Europa que seja realmente uma pessoa com poder”.

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