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Lufthansa tem de ter mil milhões no banco para comprar TAP

Companhia aérea alemã vai ter de pagar entrada no momento de assinar contrato, mas também vai ter de prestar uma garantia bancária no valor da quase totalidade do negócio,

A Lufthansa tem de garantir que tem mil milhões de euros no banco para assinar contrato com a TAP.

Esta é uma das condições impostas pelo Governo na hora de assinar o contrato, além do pagamento de uma entrada.

"O proponente cuja proposta venha a ser selecionada deve ainda prestar uma garantia bancária, emitida por um banco de primeira linha, em valor correspondente à diferença entre o montante global do preço oferecido para a compra das ações da TAP a adquirir no âmbito da venda direta de referência e o montante da prestação pecuniária inicial, para garantia do cumprimento da obrigação de pagamento do preço para a aquisição das referidas ações", segundo a legislação em vigor.

Neste momento, a legislação prevê apenas o pagamento de uma entrada de 2,5% sobre o valor dos 44,9%, ou seja, 25,6 milhões de euros do bolo total de 1.025 milhões de euros.

Assim, a garantia prestada será na casa dos mil milhões de euros.

A Lufthansa contava com 10 mil milhões de euros de liquidez no final do primeiro semestre de 2026, com mais de oito mil milhões em ‘cash’.

O Governo já anunciou que prevê fechar o contrato de assinatura do acordo até ao final deste ano.

E o ministro das Infraestruturas disse este fim de semana que a oferta aos trabalhadores deve arrancar no início de 2027, afirmou Miguel Pinto Luz à “Antena 1/Negócios”.

A legislação estipula que a garantia será feita "mediante garantia bancária autónoma, incondicional, e à primeira solicitação, em língua portuguesa ou inglesa".

A garantia "é emitida em benefício do Estado Português, através da Entidade do Tesouro e Finanças, por instituição de crédito nacional ou estrangeira (i) com notação de risco da dívida sénior de longo prazo igual ou superior a A- (A menos) ou notação equivalente atribuída por uma agência de notação de risco reconhecida a nível internacional, ou (ii) que seja aceitável para a PARPÚBLICA - Participações Públicas (SGPS), S. A. (PARPÚBLICA)".

Esta garantia é "denominada em euros, devendo ser entregue à Parpública que a deterá em representação e por conta do beneficiário, assegurando a Parpública o acesso do beneficiário ao original sempre que necessário para o exercício dos seus direitos, até à cessação da sua vigência".

Mais. Mediante autorização do Estado Português, o proponente "poderá substituir a prestação de garantia bancária prevista nos números anteriores pela constituição de um depósito bancário em garantia a favor do Estado Português ou por qualquer outro instrumento considerado adequado a servir a mesma finalidade".

No caso da entrada a pagar pela Lufthansa, o Governo estipula que a companhia aérea alemã tem de "comprovar a realização do pagamento da prestação pecuniária inicial e prestar a respetiva garantia bancária, ou outro instrumento financeiro idóneo para o mesmo efeito", segundo a resolução de Conselho de Ministros, datada de 14 de outubro e publicada esta sexta-feira, 16 de outubro em Diário da República.

"O proponente cuja proposta venha a ser selecionada para a venda direta de referência, no âmbito do processo de reprivatização do capital social da TAP - Transportes Aéreos Portugueses (...) para a aquisição de ações representativas de até 44,9 % do capital social da TAP, deve efetuar o pagamento de uma prestação pecuniária inicial no montante correspondente a 2,5 % do valor global oferecido pelo conjunto das ações da TAP a adquirir no âmbito da venda direta de referência", segundo um despacho publicado este ano.

"O pagamento da prestação pecuniária inicial (...) deve ser efetuado até à data da celebração dos instrumentos contratuais que concretizam a venda direta de referência", com o Governo a prever que a assinatura do contrato venha a ter lugar até ao final deste ano.

Mas há mais. A Lufthansa vai ter de prestar uma garantia bancária "emitida por um banco de primeira linha, em valor correspondente à diferença entre o montante global do preço oferecido para a compra das ações da TAP a adquirir no âmbito da venda direta de referência e o montante da prestação pecuniária inicial, para garantia do cumprimento da obrigação de pagamento do preço para a aquisição das referidas ações". Isto é, uma garantia na casa dos mil milhões de euros, os 97,5% do valor de compra.