A fusão da TAP com o grupo Lufthansa vai permitir criar uma mega-companhia aérea nas rotas entre a Europa e o Brasil.
Se a TAP já lidera este mercado, com uma quota de 29%, os voos da Lufthansa e da Swiss para o país canarinho vão dar um poder de fogo total de 38%.
Isto deixa os concorrentes mais próximos a milhas, como a Air France-KLM e a LATAM, que contam cada uma com 20% de quota, segundo os dados da Cirium.
“A Lufthansa compra uma posição de liderança no Brasil e no Atlântico Sul, um ‘hub’ complementar sem sobreposição de destinos relevante, ativos industriais e uma opção de maioria a preço conhecido, num contexto em que o retorno depende de executar a integração e de resolver a restrição de capacidade de Lisboa”, disse ao JE o analista financeiro Nuno Barradas Esteves.
Em termos dos voos entre a Europa e a América do Sul, num total de 20 milhões de passageiros, a Lufthansa/TAP passa a contar com uma quota de mercado de 20%. Da Europa do Sul para a América do Norte, a quota das duas passa a ser de 17% do mercado. Já nas rotas entre Portugal e a Europa, ficam com uma quota de 21%. E nas rotas entre África e a América do Norte, sobem para 8%.
“Estamos a olhar para a América Latina e especialmente para o Brasil. Queremos tornar-nos menos dependentes da Alemanha”, assumiu o presidente-executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, revelando que “no futuro” a ideia é levar passageiros para o Brasil via Lisboa.
O portfólio de “rotas premium’ para o Brasil e para os Estados Unidos, com acesso privilegiado a um mercado de 215 milhões de residentes (o Brasil) e à concorrida costa leste norte-americana”, foi crucial para a atratividade da TAP, defende Nuno Barradas Esteves. “Esta exposição a mercados de elevada rentabilidade reforça a atratividade da companhia no atual processo de privatização”.
“Lisboa é o ‘hub’ mais ocidental da União Europeia, com 46% da oferta de lugares no aeroporto, e seria o sétimo ‘hub’ do grupo, a par de Frankfurt, Munique, Zurique, Viena, Bruxelas e Roma. O Porto serve como segunda base, com procura de longo curso crescente e rentável”, segundo o analista financeiro.
O primeiro-ministro congratulou-se com a escolha do vencedor da primeira fase de privatização da TAP. “Hoje garantimos o futuro da TAP”, disse Luís Montenegro na quarta-feira. “A proposta financeira foi 16% superior à proposta concorrente e com menor grau de incerteza. Foi a melhor escolha”.
O primeiro-ministro destacou os mais de três mil milhões de euros injetados pelos contribuintes na companhia aérea. “Fomos firmes e exigentes na negociação para obter as melhores condições e reduzir a exposição futura do Estado”.
“Já podemos encarar o futuro da TAP com entusiasmo e confiança. Isso deve-se ao esforço dos portugueses que injetaram nos últimos anos na empresa mais de 3,2 mil milhões de euros dos seus impostos, dinheiro que, ao ser canalizado para a companhia, deixou de estar disponível para outras despesas públicas, nomeadamente nos serviços públicos essenciais”, concluiu Luís Montenegro na sua comunicação ao país para anunciar o vencedor.
Concorrentes ficam a milhas da TAP/Lufthansa nos voos para o Brasil com quota de 38%
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TAP já liderava entre a Europa e o Brasil, mas chegada da Lufthansa reforça posição do grupo, deixando para trás os rivais diretos europeus e brasileiros.