Portugal pode tornar-se no segundo maior acionista da Lufthansa com a troca de ações prevista na segunda fase de privatização da TAP.
Com 488 milhões de euros previstos em troca de ações na segunda fase, isto implica uma participação de 5% da companhia.
Feitas as contas, o Estado português pode encaixar 19,8 milhões de euros por ano em dividendos, ao valor atual da remuneração acionista, de 0,33 euros. São quase 200 milhões de euros no espaço de 10 anos.
Nas contas do Governo é assumido um ‘dividend yield’ de 3,9% para uma ação cotada a 8,8 euros, o que dá um dividendo anual de 0,3432 euros por ação. Contas feitas, 20,6 milhões de euros em dividendos pela fatia de 5%.
O Governo assume na sua apresentação que a sua estimativa está “dependente da performance e cotação da empresa”.
O Jornal Económico tentou obter esclarecimentos sobre esta conta junto do Ministério das Infraestruturas, que prometeu explicações na altura da assinatura do contrato no final deste ano.
Tendo em conta o preço-alvo da ação assumido pelo Governo de 8,8 euros, isto significa que a posição de 5% vai valer 528 milhões de euros.
No seu exercício, o Governo assume um ganho de 1.400 milhões de euros até 2040, entre o valor da posição de 5% e os dividendos gerados pela Lufthansa em favor do Estado português.
“Seremos o segundo maior acionista do quarto maior grupo aeronáutico do mundo”, disse o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, sobre a operação.
Depois de mais de três mil milhões de euros de dinheiro dos contribuintes a voar dos cofres públicos para a companhia aérea, fortemente abalada pela pandemia da Covid-19, a expetativa do Governo é receber quase 3,5 mil milhões de euros até 2040, incluindo as duas fases de privatização, mas também em ações da Lufthansa e em dividendos.
A eventual participação da TAP é apenas superada pelos 20% da Kühne Aviation, uma ‘holding’ que gere participações da família de Klaus-Michael Kühne, empresário que morreu em 2021, sendo então a pessoa mais rica da Alemanha.
Neste momento, há outro acionista na casa dos 5% da empresa: Capital Group Companies, um fundo norte-americano, com 5,06%. Seguem-se os fundos norte-americanos BlackRock e Causeway Capital Management, cada um com mais de 3%.
O Estado vai receber em dinheiro 1.201 milhões de euros decorrentes da venda de 45% da TAP, faltando ainda a venda de 5% destinada aos trabalhadores, com a percentagem que sobrar a ser comprada também pela Lufthansa.
Depois, a venda dos restantes 50,1% deverá render mais 863 milhões de euros também em ‘cash’, mais 488 milhões de euros em ações, numa totalidade de 1.351 milhões de euros. Tudo junto, atinge os 2.552 milhões de euros. Já os dividendos mais o valor das ações atingem, segundo o Governo, 1.400 milhões de euros. Tudo somado, quase 3.500 milhões de euros.
Onde a Lufthansa se distingue? “Na componente financeira, com mais 163 milhões de euros (16%) na primeira fase e uma diferença de 20,6% no preço-base dos 44,9%. Na certeza, porque a oferta é fixa, sem condições, e a segunda fase está quantificada, ao contrário da da Air France-KLM, em que a componente em dinheiro depende de variáveis futuras. E na frota e nos projetos industriais, com metas numéricas e datas (117 aviões em 2035, 130 depois do novo aeroporto, até oito A350-900 depois de 2030)”, destaca o especialista em aviação Nuno Barradas Esteves.
Estado português com 5% da Lufthansa rende 20 milhões por ano
/
Portugal pode tornar-se no segundo maior acionista, apenas atrás da fundação criada pelo que chegou a ser o homem mais rico da Alemanha.