A Lufthansa exige um cumprimento rigoroso do calendário das obras de expansão do atual aeroporto de Lisboa.
Esta expansão é "muito importante" e deverá estar concluída nos próximos "dois anos", sem atrasos, defende a companhia aérea alemã que é uma das interessadas na privatização da TAP.
"É muito importante" que a extensão "seja mesmo executada" para permitir, por exemplo, aumentar o número de partidas por hora, disse Tamur Goudarzi-Pour, vice-presidente para a Estratégia da Lufthansa, a segunda maior companhia europeia por passageiros e a quarta maior a nível mundial por receitas.
"É muito importante para que o crescimento aconteça", defendeu num encontro com jornalistas portugueses em Frankfurt, Alemanha.
O aeroporto de Lisboa recebeu mais de 35 milhões de passageiros em 2025, estando, neste momento, no que muitos consideram ser o seu limite, com a capacidade atual.
"É importante gerir o sucesso deste hub, para que não se torne uma vítima do seu sucesso", afirmou o gestor, referindo-se ao disparo no número de passageiros nos últimos anos que colocaram uma grande pressão sobre o Humberto Delgado.
Questionado se a Lufthansa tem abordado o tema com a ANA, o responsável destacou que o tema faz parte da discussão entre os franceses da Vinci e o Governo.
O executivo alemão também abordou a construção do aeroporto Luís de Camões em Alcochete: "É crucial ter o novo aeroporto".
"É importante que seja cumprido o plano. É importante que o caminho continue", defendeu no encontro com jornalistas.
A modernização e ampliação dos terminais de embarque do aeroporto Humberto Delgado implicam obras no terminal 1 para criar uma nova área de embarque, o Pier Sul, 12 novas portas de embarque (com 10 pontes telescópicas, para entrar diretamente no avião a partir do terminal, sem ter de recorrer a autocarros); mais 33 mil m2 de terminal.
Já o terminal 2 foi remodelado e foram instaladas quatro novas novas portas de embarque, obras já concluídas.
"É um dia especial. Trata-se de uma obra em que tive a oportunidade de estar presente na assinatura do contrato de empreitada e agora estou na inauguração deste renovado Terminal 2. Está de parabéns a engenharia portuguesa que está ao nível dos desafios que temos de responder neste que é o maior ciclo de investimento público das últimas décadas em Portugal", disse o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz no evento de inauguração do projeto no início deste ano.
"Até termos um novo aeroporto, este terá de servir os passageiros com qualidade. Devemos ao setor do turismo ter infraestruturas capazes. O tempo dos adiamentos acabou. Levaremos esta intervenção de melhoria até ao fim", disse o ministro a 8 de janeiro.
O Governo português está confiante de que vai receber três propostas pela privatização da TAP.
O prazo final para a entrega das propostas não-vinculativas pela companhia aérea é a próxima quinta-feira, 2 de abril.
Na corrida estão a alemã Lufthansa, a franco-neerlandesa Air France-KLM e a anglo-hispano IAG.
"Penso que os três grupos olham para a TAP numa perspetiva de médio a longo prazo de crescimento. Não penso que esta crise vá ter um forte impacto no interesse e nas condições da privatização", disse o ministro das Finanças na terça-feira, 31 de março, em entrevista à "Bloomberg".
Considerando que a TAP é "provavelmente a última" companhia aérea de médio porte na Europa que ainda está disponível no mercado, contando com ligações intercontinentais para os EUA, Canadá, América do Sul ou África que a tornam atraente para as grandes companhias aéreas europeias.
O executivo de Luís Montenegro planeia vender até 49,9% da companhia aérea, com 5% destes reservados primeiro para os trabalhadores.
A IAG poderá desistir da corrida à TAP por concluir que uma fatia minoritária não serve a sua estratégia, segundo revelou recentemente a "Bloomberg" que escreveu que a dona da British Airways e da Iberia ainda poderá apresentar uma proposta não-vinculativa antes de desistir.
Apesar da grave crise energética mundial, que fez disparar os preços do jet fuel, o Governo vai manter o calendário da privatização.
"Mantemos tudo", disse recentemente ao JE o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz.
Depois da entrega da proposta não-vinculativa até 2 de abril, os interessados têm mais 90 dias para entregar a proposta vinculativa até 1 de julho, período durante o qual farão a devida 'due dilligence', isto é, vão analisar os dados operacionais, financeiros ou jurídicos, antes de apresentar a proposta final.
A Lufthansa anunciou na terça-feira, 31 de março, que aumentou os voos para Portugal devido à guerra no Médio Oriente com os turistas à procura de um verão em países europeus seguros, longe do conflito.
Por um lado, a companhia consegue ter mais aviões disponíveis devido ao cancelamento de algumas rotas devido à guerra. Por outro, o aumento da procura por férias na Europa, perante a impossibilidade de outras regiões, está a alimentar esta expansão.
A expansão das ofertas dos voos para o verão 2026 acontece devido ao "aumento na procura de viagens aéreas de turismo e negócios".
Na Europa, vai acrescentar 540 rotas dos seus hubs em Frankfurt e Munique durante o período entre abril e outubro de 2026, "servindo tanto destinos turísticos na Europa do Sul como vários destinos na Europa do Norte".
"Entre outros, a capacidade na Península Ibérica, Grécia e Itália vai ser expandida significativamente", segundo o comunicado divulgado esta quarta-feira.
Um dos países que já está a ser afetado pela guerra, apesar de alguma distância do conflito, é a Turquia, que já regista quebra na procura turística, a par de Chipre.
Mas o azar de uns é a sorte de outros. Países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia estão a ser beneficiados com o aumento da procura.
"O ambiente geopolítico continua altamente volátil, caracterizado por mudanças de curto-prazo e flutuações de mercado. Em particular, aumentos agudos no preço dos bilhetes devido aos custos elevados de combustível podem impactar a procura. No presente, todavia, a procura por viagens continua alta, apesar de terem sido implementados aumentos nos preços dos bilhetes", pode-se ler.
Além da expansão de voos, "as companhias do grupo Lufthansa estão atualmente a desenvolver e a avaliar cenários para permitir uma rápida resposta a mudanças no ambiente do mercado, por exemplo, através do cancelamento de rotas deficitárias ou o retiro antecipado de aviões mais antigos".
Os voos adicionais acontecem com o ajuste dos aviões que antes seguiam para o Médio Oriente, com os recursos disponíveis a poderem ser "utilizados eficientemente".
"Este medida permite à Lufthansa e às outras companhias do grupo responderem flexivelmente à mudança de voos dos viajantes, influenciada por desenvolvimento geopolíticos".