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Air France-KLM vai entregar proposta pela TAP

O grupo franco-neerlandês está a trabalhar para entregar uma oferta não vinculativa nesta quinta-feira. Considera a TAP um player forte na América do Sul e peça-chave para aumentar a sua presença na região, que poderá ajudar a Air France-KLM a atingir a margem operacional que pretende na operação. Mas avisa: "preço e modelo de governação" serão determinantes para avançar com a compra.

O grupo franco-neerlandês vai avançar para a TAP, com a companhia portuguesa a acrescentar valor às operações, avançou ao JE fonte próxima ao processo. Air France-KLM já deixou, porém, um recado ao Governo e garante que tudo vai depender do preço e da liberdade de gestão. Prazo para entrega de propostas não vinculativas termina nesta quinta-feira. Dona da Iberia e da British Airways pondera não avançar, mas ministro das Finanças mantém confiança de que interesse se mantém. Miranda Sarmento aguarda por propostas da IAG, a par da Lufthansa, para comprar uma participação na TAP.

Na corrida pela TAP, Air France-KLM defende que "preço e modelo de governação" serão determinantes para avançar com a compra. O grupo franco-neerlandês vê a companhia aérea nacional como peça estratégica, com potencial para ocupar um lugar central no seu grupo, destacando sinergias nas rotas do Atlântico Sul (Brasil) e África. O grupo valoriza a rede da TAP, mas, ainda assim, exige controlo comercial e de gestão para avançar na privatização, com foco no preço e modelo de governação.

Esta mesma mensagem foi transmitida pela Air France-KLM, em fevereiro, numa reunião com a administração da TAP, apontada como "muito positiva" e onde tinha já admitido estar "a trabalhar numa proposta não vinculativa" pela TAP, que tem de ser entregue até dia 2 de abril. Os responsáveis do grupo franco-neerlandês reuniram-se, tal como os restantes concorrentes, na primeira quinzena de fevereiro, com os gestores da transportadora portuguesa na semana passada, onde lhes foi dada a conhecer a estratégia de expansão para os próximos anos.

"Fomos selecionados para participar no processo", disse Steve Zaat, diretor financeiro do grupo de aviação, na conferência de imprensa sobre os resultados de 2025 e perspectivas para 2026, acrescentando que "estamos a trabalhar numa proposta não vinculativa". Este responsável admitiu, na altura, a existência de "conversas agradáveis com a gestão da TAP" e garantiu que a integração da TAP no grupo franco-neerlandês "depende do preço a pagar e da estrutura de gestão".

Mesmo com uma participação minoritária no capital de até 49,9%, a Air France-KLM tem vindo a posicionar-se para assumir a gestão da companhia portuguesa, o que poderá levar à saída da equipa de Luís Rodrigues do comando da TAP. Com o Estado português a ficar com 50,01% da TAP, é ainda expectável que mantenha alguém de confiança da administração e na comissão executiva da transportadora.

Meta de 8% do grupo para a margem operacional

Apesar do resultado operacional de dois mil milhões de euros no ano passado, o que corresponde a uma margem de 6,1%, os responsáveis da companhia franco-neerlandesa sublinharam na apresentação dos resultados da empresa que ainda estão longe da meta de 8% que fixaram para a margem do negócio de aviação.

Sobre se a potencial compra da TAP pode impactar os planos para o aumento da margem operacional nos próximos dois anos, que a Air France-KLM quer colocar nos 8% até 2028, o CEO, Benjamin Smith, e o CFO, Steve Zaat, já deixaram claro que não vão investir numa companhia se não tiverem confiança no que ela pode dar ao grupo. “A TAP é um bom 'player' na América do Sul e a sua integração no nosso grupo só vai fortalecer a margem operacional", disse em fevereiro o CEO da Air France-KLM, acrescentando que a TAP vai "complementar” o que têm no grupo, nomeadamente na operação de ligação à América, principalmente à América Latina, uma vez que a Europa tem bastante diversificação dentro do grupo, com a Air France, KLM e Transavia, enquanto a Jet Blue Airways está mais dedicada aos voos de longo curso.

Privatização entra na reta final. IAG pondera desistir

O processo de privatização, que está numa das suas etapas finais, tendo já sido sinalizado o interesse de três grandes grupos europeus. Além da Air France-KLM, participam o grupo alemão Lufthansa e o International Airlines Group (IAG), controlador de Iberia e British Airways, todos selecionados pelo governo português para apresentar propostas não vinculativas até 2 abril de 2026.

A expetativa incide agora na IAG após notícias que dão conta de que pondera desistir de corrida pela compra da TAP pelo facto de a aquisição de uma posição minoritária não se enquadrar na estratégia da empresa. A informação foi avançada pela Bloomberg a20 de março que citou fontes familiarizadas com o processo. Mas a dona da British Airways e da Iberia não confirmou qualquer decisão final sobre a sua participação no processo, mantendo assim até amanhã a possibilidade de apresentar uma proposta no processo de privatização da TAP. Também não está afastada a possibilidade de avançar com uma oferta não vinculativa, que poderá não ter sequência.

 A privatização prevê a venda de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservados aos funcionários e o restante permanecendo sob controle estatal português. A Parpública, holding responsável pela operação, exige que os interessados demonstrem como pretendem fortalecer o hub de Lisboa e preservar a conectividade de longo curso, incluindo rotas estratégicas para América do Sul e África, além de critérios financeiros robustos.

Governo confiante em receber três propostas

 Na contagem final do prazo para entrega de propostas não vinculativas, e após notícia de que  a IAG poderia não avançar, o ministro das Finanças sinalizou esta semana estar confiante de que interesse se mantém.

“Acho que esses três grupos continuam a olhar para a TAP numa perspectiva de crescimento de médio e longo prazo”, disse Miranda Sarmento nesta segunda-feira, 30 de março, em entrevista à Bloomberg TV, desvalorizando receios de que a guerra no Irão alimente a volatilidade nos mercados e a incerteza no setor da aviação.

O governante avançou estar convicto que “esta crise não tenha um impacto forte no interesse e nas condições da privatização” da companhia aérea.