Os lucros do BIM Moçambique, banco do grupo português BCP, caíram para metade no primeiro semestre, para quase 1.669 milhões de meticais (22,4 milhões de euros), face ao mesmo período de 2024.
De acordo com informação das demonstrações financeiras de janeiro a junho, o desempenho compara com os 3.225 milhões de meticais (43,3 milhões de euros) de resultados líquidos nos primeiros seis meses de 2024.
O ativo total do banco cresceu, no final de junho, para 206.118 milhões de meticais (2.769 milhões de euros), incluindo 45.773 milhões de meticais (615 milhões de euros) em crédito a clientes, ligeiramente acima, neste caso, do fecho de 2024, enquanto o passivo subiu para 170.092 milhões de meticais (2.286 milhões de euros), contabilizando neste caso 163.604 milhões de meticais (2.198 milhões de euros) em depósitos, que também aumentaram.
O Banco Internacional de Moçambique (BIM) iniciou atividade em outubro de 1995, em resultado de uma parceria estratégica entre o Banco Comercial Português (Millennium BCP) e o Estado Moçambicano.
À data de 31 de dezembro de 2024, contava um capital social de 4.500 milhões de meticais (60,5 milhões de euros), a maioria detido pelo BCP África (grupo Millennium BCP), com uma participação de 66,69%, seguindo-se o Estado de Moçambique (17,12%), o Instituto Nacional de Segurança Social moçambicano (4,95%) e a Empresa Moçambicana de Seguros (4,15%), entre outros acionistas.
Os lucros do BIM Moçambique já tinham caído para menos de metade em 2024, para 3.309 milhões de meticais (44,5 milhões de euros), segundo dados do relatório e contas noticiados anteriormente pela Lusa.
De acordo com o banco, trata-se de uma redução de 54% face ao resultado líquido do exercício de 2023, quando atingiu os 7.211 milhões de meticais (96,9 milhões de euros) - na altura um aumento de 8,2% num ano -, "essencialmente explicada pelos aumentos nas imparidades e provisões".
"Refletindo o aumento das imparidades para a dívida pública", justificava então o BIM, um dos três maiores do país, no relatório e contas, referindo que a imparidade de títulos da dívida pública aumentou 2,1 mil milhões de meticais (28,2 milhões de euros) no último ano, "na sequência da revisão em baixa do rating para emissões do Estado em moeda nacional".
O BIM sublinha, contudo, que o rácio de solvabilidade aumentou devido ao incremento dos fundos próprios, fixando-se em 36,7%, "consideravelmente acima do limite regulamentar de 12%, refletindo a resiliência e solidez financeira do banco".
A administração do banco decidiu então não distribuir dividendos aos acionistas dos lucros de 2024, aplicando-os no reforço das reservas, devido às recentes decisões de 'rating' da dívida soberana moçambicana.